Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Ambiente

31 Janeiro de 2020 | 00h06 - Actualizado em 31 Janeiro de 2020 | 00h18

Protecção ambiental, um desafio da sociedade angolana

Luanda - O desafio lançado há 44 anos sobre a necessidade da adopção de padrões de vida sustentáveis, capazes de promover uma gestão equilibrada dos recursos naturais, infelizmente ainda é actual para a sociedade angolana.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

1 / 1

Mar, uma das vítimas da acção nociva do homem

Foto: Henri Celso

Palanca Negra, uma das maiores vítimas da acção humana

Foto: Angop

(Por Claudete Ferreira)

Quando, em 1976, foi instituído em Angola o Dia Nacional do Ambiente (31 de Janeiro), como resultado da Semana da Conservação da Natureza, realizada em Luanda, a finalidade era despertar a consciência humana sobre a necessidade da protecção do ambiente.

No entanto, a actualidade angolana demonstra o contrário com a agressão, de todas as maneiras, dos ecossistemas: há cada vez mais emissão de Co2 no ar, deposição de enormes quantidades de plástico nos solos e nos mares e contaminação dos oceanos com petróleo bruto.

As autoridades angolanas têm realizado ou promovido acções a favor do ambiente, mas as agressões à vida animal e vegetal continuam com a caça furtiva, desflorestação, construções que destroem o ecossistema, poluição ambiental, entre outras acções nefastas.

A Constituição da República de Angola, no seu artigo 39º, estabelece que “todos têm o direito de viver num meio ambiente sadio e não poluído, bem como o dever de o defender e o preservar”, porém, a realidade demonstra que a população está aquém desses desígnios.

Dados oficiais indicam que, entre 2018 a 2019, foram abatidos mil 887 animais nas províncias de Cabinda, Moxico e Cuando Cubango, dentre os quais, macacos, cobras, javalis, chimpanzés, pangolins, gibóias, gazelas, chitas e tartarugas marinhas.

Muitas das espécies são abatidas no interior de parques nacionais, com recurso à violação dos pontos de vedação.

Ausência de legislação penal, a falta de divulgação da legislação vigente sobre a matéria, de sincronização institucional e de recursos humanos e técnicos para suprir as necessidades locais de gestão da biodiversidade, bem como a impunidade ambiental enquanto sentimento comum, entre outros, são alguns dos constrangimentos no combate à caça furtiva.

Nesta conformidade, medidas para desencorajar e punir estes actos devem ser adoptadas, tais como a aprovação de uma lei sobre os crimes ambientais relacionados com a fauna e a flora, a regulamentação da lei base das florestas e a aprovação da lei da caça e a integração do direito penal ambiental no sistema de ensino.

A tradução da legislação ambiental nas línguas nacionais e sua divulgação, o encerramento compulsivo de todos locais de venda de espécies e a criação de um ambiente de maior sintonização institucional são outras acções que devem ser desencadeadas.

A desflorestação, com maior incidência em Cabinda e Cuando Cubango, províncias onde se regista o corte ilegal de árvores em grande quantidade para a venda de madeira, é outro factor destrutivo da natureza, à semelhança das construções em lugares susceptíveis de afectar o ecossistema, como é o caso de Luanda.

Na capital do país, três zonas turísticas lideram essas construções, nomeadamente a Baía de Luanda e as Ilhas do Cabo e do Mussulo.

Na primeira, há flora e fauna. Uma diversidade consubstanciada em peixes, moluscos, algas e ovos de tartarugas em risco, por conta da acção irresponsável do homem ao transformar o seu espaço num “esgoto” a céu aberto.

No “paraíso natural” do Mussulo, a ambição desmedida humana toma conta de tudo e mostra o mau exemplo de trato ambiental. É o poiso preferido da classe média-alta, principalmente nos fins-de-semana, feriados e fim de ano.

Além de empreendimentos económicos e mansões de betão instalados nessa península, que  destroem aquele património natural, o Mussulo carece da remoção de toneladas de lixo abandonadas pelos seus frequentadores.

O mais referenciado local turístico da capital do país passou de paraíso cheio de mangais, de tempos idos, para zona onde flamingos, pelicanos, andorinhas e gaivotas “lutam” para obter alimentos, de tão rara se tornou a vegetação.

A falta de consciência ambiental também não poupou o “cartão de visitas” da cidade de Luanda, a Ilha do Cabo, onde a invasão de cidadãos a tornou num local para vândalos que disputam cada grão de areia sem a observância dos mais elementares princípios de conservação ambiental.

Na Ilha do Cabo, espaço que albergava várias espécies da fauna e da flora, também foram erguidas habitações e hotéis, usando betão. As casas de madeira foram engolidas por edifícios multiusos.

Essas edificações deram cabo das espécies de tartarugas que desovavam na zona. Hoje, só acidentalmente é possível ver-se as duas espécies da Ilha do Cabo: a gigante (dermochelys coriácea) e a pequena (lepidochelysolivacea).

Essas amostras demonstram o quão é urgente a capacitação das pessoas sobre as atitudes a ter na sua relação com a natureza, fundamentalmente o uso adequado dos recursos naturais para que haja um desenvolvimento económico e social sustentável.

Só agindo desta forma será possível promover o crescimento económico sem comprometer os recursos naturais - cada vez mais escassos e limitados - e garantir um futuro mais seguro e próspero para a presente e as futuras gerações.

O lema escolhido este ano pelo executivo para a celebração do Dia Nacional do Ambiente - “fortalecer as capacidades locais para uma sustentabilidade ambiental em Angola” - é elucidativo.

A divulgação do vasto potencial do ecossistema angolano e os esforços que vêm sendo empreendidos por Angola ao longo dos anos, para a promoção do ecoturismo e o desenvolvimento sustentado, é um sinal inequívoco da importância que o governo atribui ao ambiente na vida das pessoas.

É nesta perspectiva que, desde 1976, a República de Angola reserva anualmente o 31 de Janeiro como o “Dia Nacional do Ambiente”, como alerta para necessidade de se adoptar padrões de vida sustentáveis.

É imperioso que a sociedade reflicta sobre a importância e pertinência do uso responsável da natureza, abstendo-se da ganância por dividendos económicos e sociais à custa da inobservância de critérios potenciadores do equilíbrio e sustentabilidade ambientais, pois, sem qualidade ambiental a vida humana na terra é a prazo curtíssimo.

Assim sendo, a educação e consciência da população sobre a importância da natureza para o homem pode despertar os negligentes que hoje destroem esse bem comum e assegurar o futuro das gerações.

Assuntos Ambiente  

Leia também
  • 30/01/2020 18:43:21

    MCS planta 52 mudas de árvores

    Luanda - Cinquenta e duas mudas de árvores, entre mafumeiras e acácias, foram plantadas hoje (quinta-feira), em Luanda, numa iniciativa do Ministério da Comunicação Social (MCS) em parceria com o Ministério do Ambiente (MINAMB).

  • 29/01/2020 16:35:41

    Na mira dos "predadores" - tartarugas em risco

    Luanda - As tartarugas já estiveram aos milhares em Angola, "inundando", por dezenas de anos, a extensa costa marinha angolana e equilibrando o ecossistema.

  • 28/01/2020 18:33:24

    Preservação ambiental depende de comportamentos responsáveis

    Luanda - A preservação ambiental depende de comportamentos, atitudes e gestos mais sustentáveis e responsáveis de toda a sociedade, uma vez que as ameaças estão identificadas, afirmou a ministra do Ambiente, Paula Francisco.