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04 Junho de 2020 | 19h20 - Actualizado em 04 Junho de 2020 | 19h16

Contestado, Paixão Júnior deixa Progresso

Luanda - O Progresso Associação do Sambizanga vive um dos momentos mais conturbados da sua história, com dívidas por pagar a atletas e pessoal administrativo de distintas modalidades, além de várias contestações à volta do trabalho da direcção cessante.

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Presidente do Progresso, Paixão Júnior.

Foto: Pedro Parente

A crise agudiza-se ainda mais, com o recente anúncio do seu presidente de direcção, Paixão Júnior, de não se recandidatar ao cargo, depois de 12 anos de trabalho.

Paixão Júnior anunciou a não recandidatura nas eleições para o próximo mandato e predispõe-se a entregar, rápidamente, a direcção da agremiação, se esta for a vontade dos sócios.

Entre as várias reclamações da "sociedade sambila" consta, também, a clarificação do imposto de segurança social, cujas verbas, ao que se sabe, "não estão registadas no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS)".

De acordo com Paixão Júnior, tem sido "difícil" manter o clube com tantas dificuldades financeiras, que se arrastam há anos e se agudizaram com a pandemia da Covid-19.

O dirigente cita, como exemplo, o facto de, por jornada do Girabola, a participação do clube implicar despesas superiores a AKz dois milhões, obtidos com o seu "sacrifício".

A Angop apurou, esta quinta-feira, que será realizada, sábado, em Luanda, uma reunião de direcção para a marcação das eleições, tendo em vista o quadriénio 2020/24.

A propósito da crise, o vice-presidente do clube, Manuel Dias dos Santos, confirmou a existência da dívida de mais de três meses em prestação de serviços e salários.

O dirigente não precisou, entretanto, o montante da dívida.

Referiu que a crise financeira generalizada colocou o Progresso numa situação de enormes dificuldades, apesar dos esforços do presidente cessante, Paixão Júnior, em honrar os compromissos assumidos em três mandatos.

Sobre o processo eleitoral (em Julho), adiantou que a reunião de sábado vai definir a data para o acto, havendo a possibilidade de existência de várias listas concorrentes.

Quanto à contestação à gestão do actual elenco, Manuel dos Santos disse tratar-se de uma atitude de não reconhecimento aos esforços do presidente de direcção cessante.

Por sua vez, o coordenador da comissão de trabalhadores, Custódio Azevedo, revelou a existência de cerca de 40 meses de salários em atraso, situação que criou, conforme a fonte, “um clima generalizado de incerteza e revolta”.

O antigo futebolista e supervisor para outras modalidades (tirando o futebol) diz já não existir consenso quanto à continuidade de Paixão Júnior à frente dos sambilas.

Custódio Azevedo, no clube há mais de 30 anos, acrescentou que os trabalhadores já não acreditam nas promessas da direcção da colectividade e esperam pela decisão de um processo remetido ao tribunal, devido aos imcumprimentos salariais.                        

Fundado a 17 de Novembro de 1975, o Progresso é resultado da fusão do Juventude Unida do Bairro Alfredo (JUBA), Juventista e o Vaza.

Na altura, tinha como objectivo unir a massa juvenil do bairro Sambizanga (antigo Musseque Mota) através do desporto, do futebol, em particular.

Apesar de nunca ter ganho o Campeonato Nacional da I divisão "Girabola", em 1996 conquistou a Taça de Angola, vencendo na final o 1º de Maio de Benguela, por 1-0.

Foi a primeira equipa africana a jogar no mítico estádio do Maracaná, na década de 90, durante um estágio que efectuou no Brasil.

A equipa angolana perdeu por 1-2, com uma formação local de antigos praticantes. O golo de honra foi apontado por Joãozinho Maradona.

Além do futebol, modalidade de bandeira, o "grémio" movimenta o atletismo, vela, voleibol, futebol feminino, xadrez, basquetebol e andebol.

Na última edição do Girabola, sob comando de Hélder Teixeira, a equipa ocupava a 11ª posição. A prova foi anulada devido a covid -19, com os sambilas longe do 5º lugar perseguido há oito anos.

Assuntos Polidesporto  

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