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23 Janeiro de 2020 | 20h09 - Actualizado em 24 Janeiro de 2020 | 09h46

Cimangola com foco na redução do preço do cimento

Luanda - O uso de Combustíveis Derivados de Resíduos (CDR) nas cimenteiras é uma das alternativas que a Cimangola encontrou para reduzir, no curto prazo, os custos de produção do cimento e, consequentemente, baixar o preço deste produto no mercado nacional.

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Cimento no interior da Fábrica da Cimangola

Foto: Rosario dos Santos

Vista parcial da Fábrica da Cimangola

Foto: Rosario dos Santos

A iniciativa, que conta com o apoio institucional do Executivo angolano, surge na sequência das constantes subidas do preço do cimento nas fábricas e nos mercados, deixando os clientes sem quase poder de compra para adquirir a principal matéria-prima da construção civil.

Segundo o administrador delegado da Cimangola, Pedro Pinto, a empresa está a negociar com os agentes de recolha e tratamento de óleos vegetais usados, para, dentro de três meses, começar a comprar estes resíduos e serem transformados em combustíveis para o funcionamento das cimenteiras.

A instalação de equipamentos para trituração e queima de pneus usados, a partir de Julho próximo, também consta das prioridades da Cimangola.

No terceiro trimestre deste ano, a empresa também prevê a recolha de resíduos de madeira, para, em conjunto, serem transformados em combustível.

Em entrevista à Angop, Pedro Pinto fez saber que o fornecimento desses resíduos à Cimangola será assegurado por empresas ou entidades particulares vocacionadas para a recolha e tratamento desses pbjectos (pneus usados, óleos vegetais e madeira).

Com a conclusão desse processo, afirmou, a Cimangola vai passar a utilizar os Combustíveis Derivados de Resíduos (CDR), que serão produzidos a partir de processos de triagem e compactação de resíduos domésticos e industriais, em 2021.

De acordo com o administrador delegado, a Cimangola é a única unidade industrial com capacidade para a utilização de CDR, porque os seus fornos estão adaptados para utilizar combustíveis alternativos.

Diante deste cenário, sublinhou, as outras cimenteiras poderão igualmente utilizar os CDR, desde que efectuem os investimentos necessários para o efeito.

Vantagens do uso de CDR

O uso dos Combustíveis Derivados de Resíduos (CDR) permitirá reduzir os custos de produção em cerca de 250 kwanzas por cada saco de cimento.

Também possibilitará o aumento da produção e exportação do clinquer (cimento não moído), a preços competitivos no mercado internacional.

Com o uso de CDR, a Cimangola aumentará a sua exportação de 100 mil toneladas de clinquer/ano para 400 mil, o que permitirá arrecadar cerca de 12 milhões de dólares/ano, contra os actuais três milhões de dólares.

Além disso, a utilização de CDR permitirá igualmente reduzir as quantidades de lixo em Luanda e diminuir as despesas do Estado no sistema de gestão de resíduos para o aterro sanitário.

Actualmente, a Cimangola utiliza totalmente o carvão mineral na sua fábrica, por ser o mais barato e sustentável do que o combustível Heavy Fuel Oil (HFO), usado por maior parte das cimenteiras do país.

Mas com as constantes variações da taxa de câmbio e desvalorização do Kwanza, o carvão mineral torna-se mais caro, devido ao custo de importação, obrigando a cimenteira a apostar no uso de CDR e outras fontes alternativas, segundo Pedro Pinto.

Devido ao aumento dos custos de importação do carvão mineral, peças sobressalentes e serviços especializados, a Cimangola foi obrigada a aumentar de mil e 950 (Novembro) para dois mil e 300 kwanzas (Dezembro) o preço do saco de cimento, para manter os níveis de produção e garantir a operacionalização da fábrica.

Esse aumento na fonte também forçou a subida do preço do cimento nos mercados do país, que chegaram a comercializar, em Dezembro último, a três mil kwanzas o saco.

Assuntos Cimenteiras   Economia  

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