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11 Setembro de 2020 | 13h00 - Actualizado em 11 Setembro de 2020 | 13h00

Catumbela "desperdiça" 120 hectares de terras agricultáveis

Catumbela - Pelo menos 120 hectares de terra agricultáveis encontram-se ainda subaproveitados no perímetro agrário da Catumbela, província de Benguela, face ao assoreamento de 35 quilómetros de drenos principais na região.

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Campo agrícola (arquivo)

Foto: Morais Silva

Em declarações à ANGOP, o director interino do Gabinete de Aproveitamento Hidro-Agrícola dos Vales do Cavaco e Catumbela, agrónomo Raimundo Mussili, disse que 2.300 camponeses, na margem direita do Rio Catumbela, estão afectados pelo mau funcionamento dos drenos.

Segundo a fonte, o fenómeno ocorre desde 2005, principalmente na comuna da Praia do Bebé, onde, por exemplo, uma vala com cinco quilómetros de extensão está assoreada, na sequência da falta de manutenção das comportas anti-marés.

Como os talhões do perímetro agrícola estão com excesso de humidade, Raimundo Mussili relatou as dificuldades por que passam os camponeses. “Estão ilhados e não conseguem fazer uma agricultura normal”, enfatizou.

É nesse sentido que acrescentou que o assoreamento dos drenos principais está a provocar enormes prejuízos à actividade agrícola, já que extensas áreas - que serviriam para o cultivo de diversos produtos - estão praticamente desperdiçadas.

Daí defender que é preciso desassorear primeiro as comportas anti-marés na Praia do Bebé, na Catumbela, e no Bairro da Luz, no Lobito, para que sejam eliminadas as águas excedentárias nos drenos principais do perímetro.

Relativamente à produção agrícola, reconhece que, não obstante as condições climatéricas serem favoráveis, o perímetro da Catumbela regista baixa produtividade, dada a escassez de fertilizantes, as pragas Tuta e da mosca branca, além do excesso de salitre.

Actualmente, o milho é a cultura principal e, segundo o interlocutor, conta com 520 hectares (ha) semeados, o equivalente a uma colheita esperada de 3.120 toneladas ao ano, enquanto a banana tem 193 ha para uma safra de 2.445 toneladas no mesmo período.

Também destacou a aposta nas hortaliças e que há 18 hectares de couve, 85 hectares de cebola, 65 hectares de tomate, 79 hectares de repolho, 161 hectares de pimento, 114 de beringela e 17 de alface.

Apesar do número expressivo de hectares explorados, o agrónomo enfatiza que as colheitas, em geral, ficam muito aquém do previsto devido, sobretudo, à falta de fertilizantes do lado dos camponeses e à salinidade, por causa da proximidade do mar.

Na mesma senda, António Kapingala, responsável municipal da União Nacional dos Camponeses Angolanos (Unaca) na Catumbela, disse que a falta de fertilizantes afecta mais de quatro mil camponeses.

Para ele, se houvesse fertilizantes em quantidades significativas, as 22 cooperativas e 13 associações de camponeses poderiam produzir, em cada época agrícola, até sete mil toneladas, nomeadamente de milho, feijão e tubérculos.

Com 3.317 hectares disponíveis, o perímetro agrícola da Catumbela controla 6.320 camponeses e 65 agricultores, alguns dos quais poderão ver, nos próximos tempos, confiscadas as parcelas de terra recebidas, por falta de exploração.

O agrónomo Raimundo Mussili avisa que as terras para fins agrícolas devem ser arrendadas àqueles empreendedores, não só com interesse, mas sobretudo com capacidade financeira de fomentar a agricultura.

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