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19 Setembro de 2020 | 14h44 - Actualizado em 19 Setembro de 2020 | 14h43

Empreendedor "ousado" produz 60 toneladas de tomate no Monte Belo

Benguela - Sessenta toneladas de tomate foram colhidas este mês, pela primeira vez e a título experimental, na fazenda Somarcampo, localizada na comuna do Monte Belo, município do Bocoio, em Benguela, uma região tradicionalmente produtora de ananás, informou o seu proprietário, o jovem empreendedor Jamir Baptista.

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Segundo o produtor, que falava hoje à Angop sobre a ideia inovadora de produção de tomate numa região onde mais ninguém o faz em grande escala, alegadamente devido a questões climatéricas (frio), decidiu há já algum tempo, por iniciativa própria, quebrar esse mito e superar o desafio.

Jamir Baptista confessa que, na verdade, não foi muito difícil, tal como se previa.

“Decidimos quebrar o mito de que o Monte Belo é somente uma região produtora de ananás. É bem verdade que essa região tem um grande potencial para produção dessa fruta, mas achamos que era possível fazer mais alguma coisa, até porque temos muitos recursos, muita terra, muita água o ano todo e seria um grande desperdício somente limitar-nos ao ananás”, frisou.

Para tornar o sonho realidade, o jovem empreendedor começou por trazer de uma outra região (Dombe Grande/Baía Farta) as plantas já em idade de transplante. Colocadas no Monte Belo, num espaço inicial de cinco hectares, foi uma experiência positiva e os resultados correspondem ao que foi planeado, afirmou.

Sempre ambicioso, o jovem agricultor adianta que as próximas plantações vão beneficiar do sistema de rega gota a gota e certamente haverá ainda maior rentabilidade, com o uso de fertilizantes na mesma proporção por planta.

Outra mais-valia, referiu, será a utilização de variedade híbrida de tomate, já plantada no Monte Belo e que se está a adaptar melhor ao clima.

“O processo de transplante das plantas ainda não é a experiência definitiva, não obstante as quantidades colhidas, porque fizemos uma outra com a mesma variedade de planta, híbrida, que foi plantada cá no Monte Belo germinou e deu resultados mais animadores. No futuro, já não se vai plantar o viveiro numa estufa fora do Monte Belo, porque as plantas que hoje estão em melhores condições nasceram aqui, habituando-se rapidamente às características climatéricas da região (fria)”, disse.

Questionado sobre os programas do governo para apoio e incentivo a agricultura, Jamir Baptista é de opinião que hoje as portas estão abertas aos produtores, acrescentando que também está inserido neles.

Na sua óptica, a questão hoje é definir-se o que se quer, a viabilidade do negócio, do investimento e acima de tudo ter uma organização empresarial eficaz, com realce para os aspectos contabilísticos, os impostos pagos e todos outros componentes que dão essa garantia aos bancos e ao Estado, para serem financiados.

“Nós, particularmente, também estamos inseridos nesses programas e hoje mais do que nunca temos grandes possibilidades de revolucionar a agricultura. Estamos aqui num projecto experimental, cujos resultados são positivos, e já estamos a pensar na sua expansão integral para os 200 hectares de área da fazenda, cujo investimento ronda os 900 milhões de kwanzas, o que, obviamente, sozinhos e sem apoios, não vamos conseguir”, destacou.

Esse valor seria utilizado na aquisição de alguns equipamentos, bombas, mangueiras, sementes, e outros “in puts” agrícolas, bem como no aluguer de tractores e charruas, que seriam garantidos por uma cooperativa da região.

Entre os vários pacotes criados pelo Ministério da Economia e Planeamento, alinhados com os bancos, para apoio à agricultura, apontou o Prodesi, que engloba o Programa de Apoios ao Crédito e outros instrumentos do Banco Nacional de Angola.

Quanto ao projecto de expansão, Jamir Baptista frisou que, numa primeira fase, como chegou agora a época chuvosa, vão apostar essencialmente na produção do milho, feijão e posteriormente na soja, apesar de neste momento a fazenda contar com alguns produtos no solo a título de experiência, como o repolho, couve e pimento.

Para uma agricultura de grande dimensão, enfatizou, “a prioridades será mesmo o milho, feijão e soja”, mas garantiu que vão continuar a plantar hortícolas, como as várias variedades de repolho, como o híbrido e regular, couve, cebola e tomate. “A região é favorável para manter em média escala a produção desses produtos, também essenciais na dieta da população”, disse.

O jovem empreendedor disse estar na fase final de elaboração de um estudo de viabilidade e que na próxima semana estará em condições de remetê-lo ao Gabinete Provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado para análise e aprovação, e ter acesso ao crédito no âmbito do Prodesi.

A fazenda Somarcampo, com uma extensão de 200 hectares, conta actualmente com 20 trabalhadores.

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