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23 Setembro de 2020 | 17h45 - Actualizado em 23 Setembro de 2020 | 17h44

Cooperativas familiares assinam protocolos de financiamento

Benguela - Dezoito cooperativas agrícolas assinaram, nesta quarta-feira, na cidade Benguela, igual número de protocolos para o financiamento da produção agrícola familiar, no quadro da implementação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (Podesi), constatou a Angop.

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Membros de uma cooperativa agrícola (arquivo)

Foto: ANGOP

O programa de apoio às cooperativas visa a concessão de crédito bonificado através do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), que prevê um financiamento de até Akz 50 milhões reembolsáveis por cada uma, inserido no PRODESI, para revolucionar o sector produtivo e apostar nos produtos “made in Angola”.

A selecção de 54 produtos da cesta básica, a partir da produção nacional, vai permitir às pessoas mais necessitadas o acesso de bens de maior consumo, em decorrência da queda dos preços, sendo a agricultura, agro-pecuária, pescas e indústria, sectores mais privilegiados.

Durante a sua intervenção, o chefe do Gabinete de Desenvolvimento Económico e Integrado, Quinda Malezi, afirmou que o país procura relançar a economia, através da sua diversificação, onde a agricultura familiar ocupa papel de relevo, devendo a fusão em cooperativas facilitar o consequente financiamento.

Em relação à banca, disse, neste momento estão a ser disponibilizados recursos para os sectores de apoio à agricultura, pescas, indústria transformadora e operadores do comércio, sendo seleccionados, do seu conjunto, 18 cooperativas que deverão beneficiar de um financiamento de Akz 50 milhões cada, visando o fomento da produção entre os segmentos da agricultura e das pescas.

Segundo o responsável, por enquanto, dos 19 operadores do sector do comércio que se candidataram ao programa de alívio económico (relativo a Covid-19), na província de Benguela, seis já receberam os respectivos desembolsos, numa proporção de 30 milhões de kwanzas cada, devendo, doravante, dedicar a sua acção na compra dos produtos nacionais para colocá-los nos grandes centros de consumo.

Quinda Malezi, que apontou para a presença na sala de operadores do sector do comércio, mormente representantes das grandes superfícies comerciais locais, augurou o estabelecimento de contratos de compra e venda, entre os produtores e homens das superfícies comerciais, de modo que Benguela continue a corresponder ao título de II região mais industrializada do país.

Entretanto, Rita Kalekela, representante da cooperativa de abacaxi do Monte Belo (Bocoio), disse esperar que o financiamento venha a servir para o incremento da produção, já que a região conta com inúmeros recursos hídricos.

Se disponibilizados, frisou, os recursos vão ser uma “mais-valia”, dando possibilidade de variar a produção, principalmente para aquelas culturas que levam até três meses, já que o abacaxi é sazonal.

Com 380 membros, a cooperativista do Monte Belo aponta para a insuficiência dos recursos, apesar de que o crédito possa servir para alguma coisa. “Trabalhamos em 50 hectares e todos precisam de dinheiro, sendo este o maior constrangimento dos agricultores”, referiu.

Rafael Chiviengue Tiago, outro cooperativista, que assinou pela “Unidos Venceremos”, do município da Ganda, com 5.160 hectares aproveitados e que integra 1.250 membros, disse que projectam, com o financiamento, aumentar a produção de milho, batata rena, trigo, soja e feijão.

Na última colheita, informou, a cooperativa obteve 20 toneladas de milho (devido a falta de fertilizantes e má preparação dos solos), todavia, a cooperativa conta com 50 hectares de terra que dependem de regadio, devido a falta de água de fontes naturais.

Rafael Tiago mostrou-se preocupado (principalmente na época chuvosa que se avizinha), com o actual estado do troço Chicuma/Ganda e vice-versa e Caconda/Caluquembe/Longonjo, que representam um sério constrangimento para os produtores da região fronteiriça com a vizinha província do Huambo.

Já a cooperativa Alto Jerekete, composta maioritariamente por ex-militares do município do Cubal, conta com 350 hectares repartidos por 308 agricultores familiares, e registou, entre outros resultados na última safra, a colheita de quatro toneladas de feijão e cinquenta outras de milho, além desta cooperativa contar com 88 cabeças de gado bovino por comercializar na província de Luanda, com vista a aquisição de uma carrinha.   

O presidente da União Nacional dos Camponeses Angolanos (UNACA) - Federação de Benguela, Simão Januário valorizou o acto que considera “viragem para o cooperativismo agrícola”, apelando aos associados que trabalhem no sentido de garantirem a devolução dos créditos.

Em relação aos títulos de posse de terra, informou que, na província, a maioria dos agricultores estão desprovidos de documentos de concessão das terras que exploram, por isso, uma simples “declaração de posse de terras agrícolas” emitida pelas autoridades deveria ser adoptada como alternativa ao processo, pelo que a UNACA vai continuar a dialogar no sentido de encontrar uma solução, até porque, com ou sem título, o camponês tem sempre a sua lavra tradicional.

A cerimónia foi orientada pela vice-governadora para o sector económico, político e social, Deolinda Valiangula, e foi marcada pela assinatura dos termos pelos responsáveis da Agricultura e Pescas, INAPEM e do Desenvolvimento Económico e Integrado, respectivamente, José Gomes, Lino Casevela e Malezi Quinda, do lado governamental, e pelos presidentes associativos ou seus representantes.

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