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30 Janeiro de 2020 | 18h04 - Actualizado em 30 Janeiro de 2020 | 19h28

Recrutas da Academia Militar sofreram intoxicação - autópsia

Lobito - Os candidatos à Academia Militar do Exército (AMEX), Cefas Lucundi e Idalésio Araújo, que morreram no Lobito (Benguela), na sequência das provas de resistência física de acesso à instituição castrense, foram vítimas de uma intoxicação, segundo os resultados preliminares da autópsia.

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Jovens foram socorridos e não resistiram

Foto: José Honório

Para esclarecer as causas das mortes, ocorridas entre os dias 21 e 25 de Janeiro, devido à uma paragem cardiorrespiratória, os resultados da autópsia médico-legal serão complementados com um exame toxicológico do material recolhido nos corpos dos dois jovens, com idades entre 20 e 18 anos.

Na quarta-feira, o chefe de Serviços de Saúde da Região Militar Centro, coronel Carlos Guedes Cristóvão, disse em conferência de imprensa que o relatório médico preliminar aponta para a presença de substâncias tóxicas não identificadas, que poderão ter causado intoxicação no organismo das vítimas.

Como os resultados da autópsia ainda são inconclusivos, a fonte indicou o estudo toxicológico do material recolhido, a partir de vários órgãos dos corpos das vítimas, como o próximo passo, o que deverá identificar as causas das mortes.  

Carlos Cristóvão, responsável pela “investigação clínica” do caso, considerado inédito em dez anos de existência da Academia, garantiu que as duas vítimas e os demais jovens concorrentes foram, antes da realização dos testes físicos, submetidos a exames médicos, a partir dos quais transitaram para a fase seguinte (aptidão física).

Presumível uso de anabolizantes

O oficial ressalta que o relatório do médico legista é claro e o que foi encontrado nos corpos dos jovens sugere uma substância química, aparentemente anabolizantes. Terão sido usados pelas vítimas, com o presumível intuito de obterem melhor rendimento nas provas físicas.

"As pesquisas feitas apontam que muitos destes candidatos estão a utilizar anabolizantes, o que concorre para casos como estes", adiantou, acreditando que o exame toxicológico irá clarificar esta situação, nos próximos dias.

Em face disso, o chefe de Serviços de Saúde da Região Militar Centro desaconselha o uso de anabolizantes, por serem prejudiciais à saúde, descrevendo os riscos que acarretam que vão desde a falência múltipla dos órgãos (como coração, pulmões e rins), até à morte do usuário.

A morte dos dois jovens, que se deslocaram de Luanda para o Lobito, é registada como o primeiro caso do género, ocorrido desde a fundação da Academia Militar (9 de Setembro de 2009), cuja missão é formar oficiais superiores para o quadro permanente do Exército.  

Apesar disso, as provas de preparação física dos candidatos continuam a decorrer. O concurso de admissão à Academia Militar do Exército integra centenas de jovens vindos das províncias de Benguela, Bengo, Huambo, Luanda e Cuanza Norte.

Os candidatos são submetidos à exames médicos e provas de preparação física, equiparadas a uma corrida de dois quilómetros e 400 metros em doze minutos, sob sol abrasador, bem como testes psicotécnicos e de laboratório.

Os candidatos seleccionados passam a cadetes da Academia. Desde o início dos cursos de licenciatura, em 2013, a AMEX licenciou 348 cadetes em vários cursos, entre os quais infantaria, tanques, telecomunicações, artilharia terrestre e engenharia militar.

Histórico das mortes

O primeiro jovem Cefas Catengue Lucundi (20 anos) perdeu a vida a 21 de Janeiro, a caminho do Hospital Geral do Lobito (HGL), após sofrer uma paragem cardiorrespiratória, durante uma prova de resistência física. Foi socorrido de imediato pela equipa médica da academia.

Outro caso sucedeu a 25 de Janeiro, quando Idalésio Sobrinho Araújo (18 anos) sentiu-se mal no final dos exercícios físicos, feitos debaixo do sol. Foi levado às urgências do referido hospital, onde foi declarado o óbito, com o mesmo diagnóstico (paragem cardiorrespiratória).

Os corpos dos dois jovens, ambos provenientes de Luanda, encontram-se, desde segunda-feira (27), na morgue central do Hospital Geral de Benguela, onde se realizaram as autópsias e análises adicionais, a pedido dos familiares.

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