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30 Junho de 2020 | 20h09 - Actualizado em 01 Julho de 2020 | 11h15

Angola testemunha, 50 anos depois, pontificado de esperança e paz

Roma - Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e o Vaticano relembram neste 1 de Julho os 50 anos do "histórico" encontro os líderes dos movimentos de libertação Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Marcelino dos Santos e o Papa Paulo VI.

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António Agostinho Neto, Primeiro Presidente de Angola

Foto: Fotos: Pl

Numa declaração da  Embaixada de Angola junto da Santa Sé destaque-se que “esse encontro não marcou apenas uma nova etapa no processo que culminou com a Independência dos mencionados Países e contribuiu para o fim da colonização, mas também evidenciou ao mundo a inclinação Pontifícia para a esperança e a paz”.

A pandemia da Covid-19 impossibilita “as justas celebrações da memorável audiência, mas não impede que manifestemos a nossa satisfação pelas relações entre a Santa Sé e os referidos Países, que, ao longo dessas décadas, se aprofundaram e consolidaram”.

No documento, a Missão Diplomática Angolana refere que, no final da audiência, o Papa VI entregou a Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Marcelino dos Santos um exemplar da encíclica Populorum Progressio, na qual dirigia a atenção da Igreja para “o desenvolvimento dos povos, especialmente daqueles que se esforçam por afastar a fome, a miséria, as doenças endémicas e a ignorância.

A procura de uma participação mais ampla nos frutos da civilização, a valorização mais activa das suas qualidades humanas e a orientação decisiva para o seu pleno desenvolvimento constam também do documento do Pontifíce.

“O Papa voltou a mencionar, nos anos seguintes, a sua preocupação com esses povos, manifestando a esperança que nutria a favor de “uma livre e consciente evangelização ao lado de um desenvolvimento civil inspirado nos princípios da justiça”.

“Em 1975, ao saudar a Independência de Moçambique, o Papa também expressou o desejo de que Angola, tal como a nação moçambicana, pudesse tornar-se um factor notável de equilíbrio no contexto da África”, lembra a Embaixada.

Às “grandes e promissoras terras de Angola”  Paulo VI fazia votos, em Dezembro de 1975, no alvorecer da sua Independência, para que fossem atingidas as expectativas da população por meio de acordos, paz e justiça.

Segundo a declaração, hoje, superadas imensas dificuldades, Angola pode orgulhar-se de ter alcançado a Independência, celebrada oficialmente por todo o Povo Angolano a cada 11 de Novembro, destacando, igualmente, a reconciliação e a paz duradoura.

Sublinha que “o papel relevante de Angola no processo de pacificação da África Austral, reconhecido por todos os países da região”.

“As aspirações africanas, sustentadas pelo sucessor de Pedro, então como hoje, transformaram-se ao longo dos últimos cinquenta anos. O respeito pela pessoa humana, o apelo ao desenvolvimento dos povos e à esperança como vectores da paz declinam-se actualmente num compromisso ético global e inclusivo a favor do bem-estar das populações, da ecologia humana integral e dos êxitos sobre a pandemia que paralisou o planeta”, realça a nota.

A Embaixada crê que os pressupostos que alimentaram o sonho da Independência e que foram acolhidos pelo Pontífice na histórica audiência de 1 de Julho de 1970 continuam sendo uma inspiração para os desafios que o futuro apresenta.

Deste modo, enfatiza que, hoje, mais uma vez, “somos chamados a enfrentar com esperança inabalável a perspectiva de uma crise económica sem precedentes e consequências irremediáveis de perdas de vidas humanas pela pandemia”.

Conclui que, com a memória da decisiva audiência de Paulo VI a Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Marcelino dos Santos e com o encorajamento que o Papa Francisco reserva a todos os homens de boa vontade, tem-se a certeza de se poder enfrentar com confiança o futuro, amparados nos princípios da paz, da justiça e do respeito pela natureza, a favor de um mundo melhor para todos.

Assuntos Efeméride  

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