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24 Janeiro de 2020 | 12h39 - Actualizado em 24 Janeiro de 2020 | 12h46

País mantém baixa prevalência de lepra

Luanda - Apesar de o país ter registado 1.018 doentes com lepra em fase de tratamento durante o ano de 2019, a taxa de prevalência mantém-se baixa nos últimos 14 anos, menos de um caso por 10 mil habitantes (meta estipulada pelas Nações Unidas).

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Bairro Prenda na cidade de Luanda

Foto: Pedro Parente

Pacientes com Lepra

Foto: Rosario dos Santos

Angola eliminou a doença, em 2005, como problema de saúde pública, mas o registo de casos ainda preocupa as autoridades, informou hoje (quinta-feira), em Luanda, o Coordenador do Programa Nacional de Controlo da Lepra da Direcção Nacional de Saúde Pública, Ernesto Afonso.

Em 2019 foram alistados igualmente 145 casos de lepra com deformidades visíveis, 450 curados e 81 abandonos de tratamento. Em 2018 foram registados 1.070 casos.

O responsável falava a propósito da comemoração, no último domingo deste mês (dia 26), do Dia Mundial da Lepra, numa altura em que a doença em Angola tende a ressurgir.

Adiantou que Angola está na lista de países em via de erradicação da patologia, mas o controlo é frágil, caracterizado por uma sub-notificação evidente a nível das unidades sanitárias e fraca cobertura geográfica dos serviços, agravada pela inexistência qualitativa e quantitativa de supervisão.

Aponta também as debilidades técnicas de certos técnicos envolvidos na gestão do programa, bem como da taxa de cura, que se cinge abaixo de 80 por cento, assim como diagnóstico e tratamento de casos tardio e deformidades de grau 2 em crianças e mulheres.

“Temos trabalhado bastante para a sua eliminação, ou atingir 0 deformidades, mais ainda assim consideramos elevados os casos registados, o que quer dizer que o doente quando aparece na consulta não pode apresentar deformidades, se o fizer torna-se um indicador que contribui para que o país seja considerado de alta carga da doença”, referiu.

Actualmente, o país conta com 92 unidades de saúde que oferecem tratamento da lepra.

As províncias mais afectadas são Huambo, Cuanza Sul, Huíla, Luanda, Moxico e Lunda Norte.

As províncias com alta carga da doença são Bié, Benguela, Cuanza Norte, Malanje, Cabinda, Huambo, Bengo, Cuanza Sul, Cuando Cubango e Moxico, enquanto as com baixa, Zaire, Cunene, Namibe, Uíge, Lunda Sul, Luanda, Huíla e Lunda Norte.

A prevalência está em torno de 0,38 por cento, estando as autoridades a trabalhar no sentido de manter-se e para isso estão a ser feitos trabalhos de expansão do diagnóstico e tratamento, bem como de consolidação da eliminação.

Forma de contágio e tratamento da doença

A Lepra, hanseníase ou mal de Hansen, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria denominada Mycobacterium lepra e (ou bacilo de hansen) que afecta sobretudo os nervos e a pele, pode causar danos irreversíveis para o organismo, sendo a principal causa de incapacidade física permanente dentre as doenças infecto-contagiosas.

A maneira mais eficaz de prevenir as incapacidades decorrentes da lepra é o diagnóstico e tratamento oportuno dos casos, antes de ocorrerem lesões nervosas.

A doença e as deformidades a ela associadas são responsáveis pelo estigma social e pela discriminação dos pacientes e suas famílias, em muitos casos.

A contaminação pelo mycobacterium lepra e dá-se por via respiratória, pelas secreções nasais ou pela saliva, e o período de incubação é longo o que explica o motivo por que a doença se desenvolve mais comummente.

Apesar de ser uma doença muito estigmatizada, devido às deformações e mutilações que podem ocorrer numa fase avançada, a lepra é uma doença tratada e curável de forma gratuita.

A forma clínica mais comum de apresentação da doença é o aparecimento de manchas de coloração mais clara que a pele ao redor, que pode afectar qualquer parte do corpo, com alteração de sensibilidade à temperatura e à dor.

Quando não diagnosticada precocemente, a doença pode evoluir lentamente atingindo formas mais graves e levando a graves deformidades na face, nas mãos e nos pés.

Surgimento da Efeméride

O Dia Mundial da Lepra, que foi instituído em 1954 pela ONU, a pedido de Raoul Follereau, o “apóstolo dos leprosos do século XX”, que um dia afirmara que "não há sonhos grandes demais".

A efeméride tem como objectivo sensibilizar as pessoas para a discriminação exercida sobre os doentes com lepra, assim como promover tratamento, ajuda dos doentes e sua reintegração social.

Escolheu-se o último domingo de Janeiro para a celebração em honra a Indira Gandhi, falecida neste dia da semana, que, num determinado momento da sua existência, dissera: "eliminar a lepra é o único trabalho que não consegui completar na minha vida".

O objectivo mundial é continuar o seu trabalho. Cerca de 11 milhões de pessoas em todo o mundo estão afectadas pela lepra e anualmente são diagnosticados mais de 700 mil casos novos no mundo.

Os países mais atingidos são os em vias de desenvolvimento ou de desenvolvimento médio devido, sobretudo, às suas precárias condições sócio sanitárias, o que facilita a infecção e a evolução da doença.

Gerhard Hansen, de nacionalidade holandesa, foi o médico que descobriu o bacilo responsável pelo surgimento da doença, em 1873.

Para atingir a taxa de eliminação, a OMS recomendou que as leprosarias fossem eliminadas e que a lepra fosse integrada no pacote de cuidados primários de saúde, ou seja, fosse tratada como qualquer outra enfermidade em unidades designadas Centros de Saúde e Reabilitação, como, por exemplo, acontece com a malária.

Assuntos Saúde  

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