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07 Abril de 2020 | 16h46 - Actualizado em 07 Abril de 2020 | 16h45

Patologista defende instituições regionais de prevenção

Luanda - O médico patologista angolano Carlos Mariano defendeu, esta terça-feira, em Luanda, a necessidade de implantação de instituições científicas regionais para a prevenção e tratamento de doenças de natureza diversa.

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Médico patologista e docente universitário Carlos Mariano

Foto: Francisco Miúdo

O professor da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto (UNAN) falava em exclusivo à agência noticiosa ANGOP, a propósito da pandemia COVID-19, que assola uma grande parte de países no mundo e contabiliza diariamente centenas infectados activos e de mortos.

 Carlos Mariano, também médico no Hospital Américo Boavida, sugeriu designadamente que se deia espaço e visibilidade à comunidade académica e científica da região e de Angola, para se esclarecerem todos os fundamentos científicos dessa doença, a COVID-19.

 No seu entendimento, esse seria um passo fundamental para que os decisores públicos tomem o conhecimento científico e não a presunção, como base da concepção das medidas de protecção da população e do país.

O médico e professor catedrático fez, a propósito, alusão às chamadas “zoonoses”, ou seja as doenças passíveis de serem transmitidas entre animais, bem como as eventuais epidemias para humanos delas resultantes.

O trabalho proposto, segundo Carlos Mariano, deve incluir o mapeamento e a investigação de microrganismos patogênicos da fauna selvagem e doméstica da região.

Segundo disse, a integração da cooperação científica e tecnológica na ampla arquitectura das relações internacionais permitiria  a realização de projectos e programas científicos.

Esses programas na área da protecção sanitária das populações levariam, por exemplo, à identificação de pessoas infectadas mas sem sintomas, como ocorre nas infecções pelo vírus SARS-COV-2, causa da doença que a OMS convencionou designar COVID-19.

Na sua óptica, essas investigações devem ser realizadas de forma continua ou periódica, para possibilitar a identificação de microrganismos na fauna.

 Neste capítulo, sublinhou que a mutação transforma esses microrganismos em agentes inicialmente bem “tolerados” e, depois, muito “agressivos”  nos seres humanos.

 O professor catedrático ilustra a situação com o agente causal da perigosa pandemia em curso, “cujo hospedeiro definitivo é o morcego das grutas rochosas”, segundo afirma.

 “A gravidade da infecção pelo SARS-COV-2 não reside na sua magnitude pandémica,  mas na sua elevada letalidade, estimada entre 5 a 10 por cento das pessoas que se infectam”, disse.

A este propósito, Carlos Mariano afirma que os estudos devem merecer uma abordagem multidisciplinar, incluindo cientistas em diferentes domínios do conhecimento.

 “As doenças infecciosas, como as virais ou bacterianas, podem ter origem em qualquer parte do mundo, mas provocar uma devastação demográfica, económica e social mundial”, destacou.

Um dos alertas que o médico lança está relacionado com as pessoas assintomáticas, ou seja as que não apresentam sintomas, mas que são a fonte principal da difusão  da SARS-COV-2 nas comunidades.

 Carlos Mariano recomenda, neste aspecto particular, que se amplie a testagem e a avaliação objectiva da prevalência da virose nas  comunidades.

Para o especialista, o combate desse vírus numa perspectiva de saúde pública, passa forçosamente por medidas de segregação e distanciamento social temporárias e cuidados monitorados no contacto entre pessoas e animais, sobretudo os selvagens, transmissores dos vírus.

 “As políticas ou medidas preventivas das doenças como o novo coronavírus chegam tarde aos países em geral, porque o financiamento para as actividades de investigação científica ficam sempre, no contexto de outras pressões nacionais, aquém das necessidades dos cientistas”, sentencia.

Assuntos Angola   Doença  

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