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24 Janeiro de 2019 | 17h24 - Actualizado em 24 Janeiro de 2019 | 17h08

Luanda com 443 anos busca harmonia urbanística

Luanda - A cidade de Luanda comemora, nesta sexta-feira (25 de Janeiro), o 443.º aniversário da sua fundação, numa altura em que a província de que é capital tem o governador mais novo da sua história (38 anos de idade) e enfrenta antigos problemas de saneamento, trânsito automóvel desordenado e expansão habitacional paradoxal.

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Circulação automóvel no sul de Luanda, onde a urbanização mais se expandiu

Foto: Pedro Parente

Parte da cidade Luanda antiga, mas modernizada

Foto: Pedro Parente

Elisa Carvalho/Esmael da Purificação

A contrariedade reside no facto de uma das suas expansões violar tudo quanto é norma urbanística, com novos bairros desorganizados, sem sistema de drenagem, assim como deficiente distribuição de água e luz, enquanto, noutra direcção, sobretudo a sul da cidade antiga, surgem mega projectos habitacionais.

Evidentemente, há razões para esta situação. Uma delas relaciona-se com a guerra de aproximadamente 30 anos. No pico do conflito armado, logo após as eleições gerais de 1992, Luanda, Benguela, Namibe e Cabinda eram os únicos locais seguros no país.

Ante a iminência de as outras três cidades serem tomadas, Luanda, apesar de ser a menor província de Angola, com 18.826 km², recebeu o maior êxodo da sua história, acolhendo parte da população angolana, embora o Censo Geral da População e Habitação de 2014 indique que vivem actualmente nesta urbe 6.945.386 pessoas, contra os 25 milhões do país todo.

Sem infra-estruturas elementares para as albergar, as populações tiveram de construir à sua maneira e em qualquer lugar. O resultado está à vista…

Catintón, Rocha Pinto, Dangereux, Simione, Mabor, Asa Branca, Malanjinho, Estalagem, 28 de Agosto, Maria Eugénia Neto, Soba Kapassa, Capalanca, Camadeira, Paraíso, Belo Monte, Kikolo, Bananeiras, Papá Simão, Malueca, Grafanil, Kapolo, Uengi Maka, Kimbango, Mulenvos, Sapu e Bita são algumas amostras dos bairros que surgiram e aumentaram o perímetro suburbano (musseque) de Luanda.

Esta situação agravou-se porque as autoridades afins não conseguiram exercer o seu papel de gestão e fiscalização dos espaços com infra-estruturação, cedência de terrenos e orientação de construção-tipo.

Noutro sentido, porém, começaram a surgir alguns projectos urbanísticos razoavelmente aceites, feitos de acordo com os padrões universais.

Prova disso são as 500 casas, um aglomerado de vivendas sociais, com arruamento, água e luz, edificadas para beneficiar militares mutilados de guerra. Seguiram-se a Vila Chinesa, Nova Vida (média-renda), Projecto Morar e os Zango I, II, III e IV, todos em Viana e de baixa-renda. 

Em 2002, foi criada a zona nobre de Talatona, com inúmeras torres de uso residencial e comercial e condomínios horizontais.

Em dado momento, tal como nos anos 60 e 70, aquando do “boom” do preço mundial do café, em que Luanda era a cidade que mais crescia urbanisticamente no mundo, a par de Tóquio, em 2008, com a alta do petróleo, começaram por ser construídas, a uma velocidade “estonteante”, duas cidades nos limites da “cidade-mãe”: Kilamba e Sequele, que foram entregues em 2011, depois KK e Vila Pacífica.

Recentemente, de maneira mais comedida, apareceram os conglomerados habitacionais do Bom Jesus e o Zango 8000, agora designado Zango 5.

Esta convivência nada harmoniosa entre urbano e suburbano acarreta outros problemas, tais como inundações em tempo chuvoso, desabamentos de moradias, desalojamentos e o caos no trânsito automóvel.

Então, é necessária coragem, para que se pare com a expansão urbana actual. Deve-se evitar a ocupação ilegal de terrenos. As construções têm de ser executadas rigorosamente, com base em planos directores, porque encaminha as realizações para os locais mais correctos.

Seja como for, com ou sem norma, desde 1975, quando tinha apenas 880 mil habitantes, Luanda cresce ao cair da noite até ao amanhecer. Para o seu bem e dos seus residentes, exige atitudes progressistas e também duras, quer de governantes quer de governados, sob pena de entrar em conflito consigo mesma.

A história da cidade

A origem do nome Luanda provém de axiluanda, singular de muxiluanda, que significa “homem da ilha/mar”, nativos da Ilha do Cabo.  

Foi a 11 de Fevereiro de 1575 que Paulo Dias de Novais, capitão-mor de Portugal, desembarcou na costa da Ilha do Cabo e estabeleceu os primeiros contactos com a população local, acompanhado de homens de armas, religiosos católicos, mercadores, entre outros funcionários portugueses.

Atracado em Luanda, com a sua armada, Paulo Dias de Novais, por reconhecer que a ilha era pequena, avançou para a terra firme e fundou, um ano depois, a vila de São Paulo de Assunção de Loanda.

Lançou a pedra angular para a edificação da Igreja de São Sebastião, por ordens expressas do rei D. Sebastião, a 25 de Janeiro de 1576, onde se encontra o Museu das Forças Armadas (Morro de São Miguel), criando os cargos e ofícios necessários ao governo da nova colónia.

Só cerca de 30 anos mais tarde, com o crescimento da população europeia que se juntou à população nativa e o consequente aumento de edificações, para fins diversos, a vila toma características de cidade, estendendo-se do Morro de S. Miguel ao largo defronte do Hospital Maria Pia, hoje Josina Machel.

Após a independência do país, em 1975, Luanda tornou-se a capital da República de Angola e conheceu um grande afluxo populacional. É a maior e a mais densamente habitada cidade de Angola. Inicialmente projectada para uma população a rondar os 500 mil habitantes, é hoje superpovoada por mais de seis milhões de pessoas.

Nos últimos anos, a província tem registado alterações na estrutura arquitectónica e viu alargada a sua área, passando a contar com nove municípios, mas a reforma administrativa de 2011 definiu sete: Cacuaco, Belas, Cazenga, Ícolo e Bengo, Luanda, Quissama e Viana. Já em 2016, acrescentaram-se dois: Talatona e Kilamba Kiaxi. Os anteriores municípios da Ingombota, Kilamba Kiaxi, Maianga, Rangel, Samba e Sambizanga passaram a constituir o novo município de Luanda.

Luanda é de clima tropical quente e seco, e a temperatura média anual situa-se entre os 25 e os 33 graus.

Assuntos Efeméride  

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