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19 Novembro de 2019 | 22h13 - Actualizado em 19 Novembro de 2019 | 22h13

Corpo exumado no Lobito já repousa em cemitério

Lobito - Os restos mortais da criança do sexo masculino, de dois anos de idade, que já tinham sido enterrados pelo próprio pai na via pública, no Bairro Boa Vista, zona alta da cidade do Lobito, em Benguela, foram já sepultados no cemitério do Ténis, avançou hoje à Angop fonte policial.

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Interior de um cemitério (arquivo)

Foto: José Cachiva

Segundo apurou a Angop, os exames realizados ao cadáver provaram que a morte terá sido causada por doença, contrariando assim a versão de populares que aventavam a possibilidade de que a mesma teria sido alegadamente enterrada com vida pelo pai, um cidadão de 52 anos de idade.

Depois da exumação feita, com autorização da Justiça, a equipa composta por agentes da Polícia Nacional, Administração Municipal do Lobito e Saúde Pública, juntamente com a família, transladou os restos mortais da criança para o cemitério do Ténis, na zona alta do Lobito, onde na segunda-feira à tarde aconteceu o sepultamento.

INAC contra comportamento do pai

Em reacção, a representante do Instituto Nacional da Criança (INAC) no Lobito repudiou com veemência a imprudência com que o pai da criança agiu, no momento em que verificou o óbito, em casa, ao mesmo tempo em que enaltece a resposta das autoridades, por terem feito a exumação do corpo e o seu enterro com dignidade, deixando mais aliviada a família e a sociedade.

Maria Serviço qualifica o comportamento do progenitor como grave violação aos direitos da criança, por isso pede ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) que prossiga com as diligências visando a sua responsabilização.

No entanto, a defensora das crianças apela às famílias carentes a não se deixarem vencer pela frustração, mas sim, a procurarem apoios junto das autoridades municipais, igrejas e associações, de maneira que os ente queridos sejam enterrados com respeito e dignidade.

“Em vez de enterrar o filho na via pública, sozinho, o pai deveria deslocar-se à Administração Municipal do Lobito e contactar a Área Social, para apoiar a realização do funeral”, sugeriu, rebatendo que a falta de dinheiro é um motivo que não colhe, pois ainda existem familiares ou até vizinhos como alternativa.

 “Nós – o INAC, juntamente com a Área Social, estamos disponíveis a encontrar apoios para funerais de crianças vulneráveis”, garante Maria Serviço, afirmando que as crianças, principalmente as mais desfavorecidas, estão no centro das preocupações da instituição, no âmbito das políticas públicas, para dar-lhes a dignidade e a protecção que merecem.

Entenda o caso

O caso aconteceu na noite do último sábado, 16, quando a mãe da criança falecida se encontrava no Centro Materno Infantil da Bela Vista, outro bairro da zona alta do Lobito, a cuidar de outras três crianças internadas.

Ao voltar à casa, proveniente da mesma unidade sanitária, o pai teria encontrado o filho mais velho, de 13 anos, a chorar e, na sequência, constatou o óbito do menor.

Tomado pelo desespero, envolveu o corpo do filho de dois anos em lençóis e pela madrugada foi enterrá-lo nas proximidades de uma vala de drenagem, a poucos metros da casa onde vive esta família, de baixa renda, no Bairro Boa Vista. No domingo, os vizinhos alertaram a Polícia Nacional.

Às autoridades policiais, o homem, cujo nome não foi revelado à Angop, alegou falta de dinheiro para o funeral e afirmou que os filhos que estão doentes no centro materno da Bela Vista chegam a passar fome, pelas dificuldades para comprar alimentos.

Após ser interrogado sobre o facto pela Polícia Nacional, o homem, devidamente identificado, saiu em liberdade atendendo à necessidade de prestar assistência alimentar às três crianças internadas com a mulher naquela unidade de saúde.

Enquanto isso, o processo-crime corre em segredo de Justiça e o homem arrisca uma acusação de possível crime de ocultação de cadáver e atentado à saúde pública, pela não observação das normas de higiene e segurança.

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