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05 Abril de 2020 | 23h48 - Actualizado em 06 Abril de 2020 | 12h28

Cidadãos insistem com a desobediência

Luanda - A desobediência de certos cidadãos, com alguns a enfrentarem as forças de defesa e segurança, continua a marcar, pela negativa, o regime de Estado de Emergência em vigor no país desde o dia 27 de Março, para prevenir a propagação do novo Coronavírus (Covid-19).

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Waldemar José , Porta-Voz do ministério do interior

Foto: Gaspar dos Santos

Desde que iniciou o Estado de Emergência, alguns cidadãos têm violando o Decreto Presidencial que restringe a livre circulação das pessoas e obriga ao confinamento obrigatório, segundo o porta-voz do Ministério do Interior, sub-comissário Waldemar José sobre as medidas de emergência no âmbito da Covid-19.

A título de exemplo, o oficial disse que nas últimas 24 horas, em Luanda, um jovem enfrentou um agente da Polícia Nacional, tantando desarmá-lo, depois de ter sido aconselhado a retornar a casa.

Dessa acção, resultou um disparo de arma de fogo que atingiu um cidadão, que se encontra hospitalizado, adiantou Waldemar José, na conferência de imprensa diária

Ainda de acordo com o porta-voz, em Benguela, oito pastores da Igreja do Sétimo Dia foram detidos por realizar cultos com mais de 258 pessoas, apesar de, ao abrigo do Estado de Emergência, estar suspensa a realização desse tipo de actividades, para evitar aglomerações.

Também em Benguela, no mercado da Baia Farta, foi detido um indivíduo por comercializar carne de cão, informou Waldemar José, acrescentando que, na Lunda Norte, as forças de defesa e segurança também detiveram quatro cidadãos, líderes da Igreja do Sétimo Dia, por insistirem na realização de cultos com muitas pessoas.

Semelhante comportamento verificou-se no Cuanza Sul, onde um diácono foi detido por realizar culto no interior da sua casa, com mais de 10 fiéis, pondo em risco a saúde da própria família, ainda segundo o porta-voz..

No Moxico, de acordo com o oficial da polícia, foram detidos dois cidadãos chineses que circulavam sem justa causa e tentaram corromper efectivos policiais com mil e 500 kwanzas, enquanto na Huila ocorreu a detenção de um cidadão nacional por acolher muitas pessoas numa barbearia.

Ainda na Huila, foi detido um outro cidadão por se insurgir contra as forças de defesa e segurança, chegando a retirar o porrete a um dos polícias, salientou o porta-voz, frisando que, em Malanje, a Polícia Nacional deteve duas pessoas por desobediência e enfrentamento às autoridades.

Ainda nessa localidade, disse, alguns cidadãos arremessaram objectos contundentes contra as forças de defesa e segurança e danificaram uma viatura da polícia, por ter desactivado um mercado vetado.

Waldemar José informou que a Polícia Nacional, no Huambo, foi obrigada a dispersar mais de 75 indivíduos que se encontravam a jogar futebol.

Diante desse cenário, disse, as forças da ordem e segurança poderão tomar medidas coercivas mais enérgicas e proporcionais à conduta adoptada pelos cidadãos.

Dados gerais indicam a detenção, nas últimas 24 horas, de 81 pessoas em todo país, sendo 68 por desobediência, seis por resistência, quatro por exercício ilegal de moto-taxi, duas por tentativa de suborno e uma por ofensa corporal.

As detenções ocorreram nas províncias de Luanda, Benguela, Namibe, Bié, Lunda Norte, Huambo, Cuanza Sul, Bengo, Zaíre  e Uíge.

Apreensões

O porta-voz do Ministério do Interior revelou que, nesse período, foram apreendidas 135 viaturas por excesso de lotação e 324 motociclistas que exerciam a actividade à margem do Decreto Presidencial.

Afirmou que, dessas apreensões, 99 foram feitas em Benguela, 86 (Luanda), 65 (Cabinda), 54 (Uíge), 48 (Namibe), 40 (Bié), 20 (Zaire), 17 (Lunda Norte), 16 (Bengo) e 7 (Malanje).

Ainda a nível nacional, foram encerrados 29 mercados informais e 11 estabelecimentos comerciais, por exercerem actividade coemercial sem observância das mínimas condições higiénicas., segundo Waldemar José, que informou terem sido julgados sumariamente quatro indivíduos por desobediência e especulação de preços.

Mensagens ofensivas nas redes sociais

Relativamente às mensagens ofensivas que desde sábado (04) circulam nas redes sociais, ofendendo cidadãos asiáticos, o porta-voz do Ministério do Interior considerou-as como um acto que pode provocar insegurança na comunidade estrangeira.

Alertou que o teor dessas mensagens instiga a violência, principalmente contra os cidadãos asiáticos, um dia depois de dois vietnamitas terem cuspido no chão dentro de um estabelecimento comercial, advertindo que as pessoas que continuarem com essas práticas serão responsabilizadas criminalmente.

Por outro lado, Waldemar José desmentiu a informação divulgada nas redes sociais que dá conta da morte de um polícia por suposto espancamento perpetrado por colegas, afirmando tratar-se de "um polícia encontrado embriagado no exercício das suas funções", que foi levado pelo seus colegas numa esquadra, onde acabou por falecer.

Segundo o oficial, a perícia da medicina legal apurou que o polícia em causa morreu por causa de um ataque cardíaco, no momento.  

Dados divulgados domingo pelas autoridades sanitárias indicam que o país registou 14 cidadãos com Covid-19, sendo que dois morreram, igual número recuperou e 10 estão em tratamento.

Assuntos Angola  

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