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São Tomé e Príncipe: Funcionários judiciais suspendem negociações para acabar com greve


17 Março de 2017 | 10h58 - Actualizado em 17 Março de 2017 | 10h58

Vista parcial da cidade de São Tomé

Foto: angop



São Tomé - Os funcionários judiciais de São Tomé e Príncipe decidiram suspender unilateralmente as negociações para tentar encontrar uma solução para a greve iniciada no passado dia 08, disse quinta-feira à Lusa fonte sindical.


Segundo Maison Torres, presidente do Sindicato dos Funcionários judiciais e do Ministério Publico, a direcção dos tribunais está a "coagir e ameaçar os trabalhadores" em greve, sublinhando que a decisão de romper com as negociações surgiu depois de uma representante dos trabalhadores ter sido expulsa quinta-feira de uma reunião destinada a "discutir a situação dos trabalhadores".

"As negociações estão suspensas e agora é que a greve está a começar, eles (a direcção dos Tribunais) querem coagir funcionários, ao invés de fazerem as coisas com dignidade e com seriedade", disse Maison Torres.

Quinta-feira, nos tribunais era visível o clima de revolta dos funcionários judiciais depois de tomarem conhecimento da expulsão da sua representante Leudimila Lopes.

"Eles (a direcção dos Tribunais) alegam que eu não posso participar do encontro por ter aderido à greve. Não há lei que me proíbe de aderir a greve, tanto mais que eu também sofro as mesmas dificuldades que os restantes funcionários", explicou Leudimila Lopes.

No calor da revolta, os funcionários judiciais divulgaram para a imprensa as condições em que trabalham e muitas ameaças que sofrem durante a execução das suas tarefas.

"Se um dia tiver oportunidade de ver as nossas condições de trabalho vai ficar pasmo; uma vez fomos fazer uma penhora a um médico e a ameaça dele foi: 'estou à espera o dia em que vocês aparecerem no hospital", disse Ludimila Lopes.

Os grevistas questionam ainda a falta de meios para fazerem o seu trabalho: "os funcionários vão fazer captura, têm que tirar a fita dos seus calçados para amarrar o detido, muitas vezes temos que utilizar a linha para cozer o processo para amarrar os dedos dos detidos como medida de segurança, acha isso normal?".

"Muitas vezes para concluirmos o processo de legalização dos detidos ficamos no trabalho, até para além de 22:00 horas e depois vamos para as nossas casas a pé, sem garantia de transportes e correndo todo o risco", acrescentaram, salientando que fazem prisões, arrestos de bens materiais e trabalham processos envolvendo políticos e empresários.

Maison Torres salientou, ainda, que a segurança dos trabalhadores está em causa.

"A nossa segurança está em causa, portanto achamos que a nossa reivindicação é justa e o nosso apelo é que os responsáveis discutam connosco até chegarmos a um entendimento ao invés de ameaçar e tentar coagir funcionários", concluiu o líder sindical.