Quarta, 20 de Janeiro de 2021
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Ramaphosa quer mais militares para controlar medidas de emergência


22 Abril de 2020 | 19h50 - Actualizado em 22 Abril de 2020 | 19h50

Pretória - O ministro da Defesa da África do Sul disse hoje que o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, quer reforçar com mais 73 mil militares a força criada para combater a propagação da pandemia provocada pelo novo coronavírus.


Nas últimas três semanas, os 57 milhões de sul-africanos têm vivido sob rigorosas medidas de contenção, que a polícia e os militares estão a fazer cumprir. É proibido correr, passear cães e vender álcool até ao final de Abril no país.

As forças de segurança estão a lutar para manter as pessoas em casa, especialmente nas cidades sobrelotadas, e a polícia tem sido flagelada pela venda ilegal de álcool que, por vezes, tem envolvido os seus próprios homens.

Numa carta dirigida ao parlamento, e dada a conhecer por um deputado da oposição, o Presidente Ramaphosa anunciou a sua decisão de destacar mais 73.180 efectivos das Forças de Defesa Sul-Africanas para reforçar o controlo da aplicação das medidas em vigor, até 26 de Junho.

Prevê-se que a operação custe cerca de 4,5 mil milhões de rands (2,2 milhões de euros), de acordo com a carta, datada de terça-feira.

Os militares destacados, são de tropas regulares, membros das Forças Armadas na reserva e auxiliares.

Em Março, foram mobilizados 2.820 soldados para impor as medidas de contenção da pandemia.

O Ministro da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, confirmou hoje a autenticidade da carta.

"Se olharmos para os números e para o ritmo a que o número de infectados aumentou, apercebemo-nos de que, a dada altura, poderemos precisar de uma intervenção humana como nunca antes", disse Mapisa-Nqakula a uma rádio local.

"Temos de (...) antecipar (e) garantir que o nosso povo compreenda os perigos de contrair este vírus", explicou o governante, acrescentando que também estavam a ser destacados soldados para ajudar o público e o pessoal médico.

O ministro frisou que "as pessoas precisam de compreender que foram criadas leis e regulamentos" para "as proteger".

Até à data, a África do Sul registou 3.465 casos de infecção pela codid-19, sendo o segundo país do continente africano, a seguir ao Egipto, com maior número de infectados.

O número de mortes continua a ser relativamente baixo, tendo-se registado 58 vítimas mortais até agora.

Mas os peritos de saúde estão a preparar-se para um aumento exponencial dos casos em Setembro.

O Presidente Ramaphosa impôs um conjunto de medidas de contenção por 21 dias, contadas a partir de 27 de Março, prolongando-se até 30 de Abril.

Na terça-feira, o chefe de Estado anunciou um plano de ajuda de 24,4 mil milhões de euros para apoiar as empresas e as pessoas mais vulneráveis afectadas pela pandemia de covid-19.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 178.500 mortos e infectou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 583 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando sectores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram entretanto a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos, como Dinamarca, Áustria, Espanha ou Alemanha, a aliviar algumas das medidas.