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COVID-19: África deve deixar de esperar pela salvação vinda de outros - UA


25 Maio de 2020 | 14h08 - Actualizado em 25 Maio de 2020 | 14h07

Bandeira da União Africana Foto: Divulgação

Addis Abeba - O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, defendeu hoje a "imperiosa necessidade" de África quebrar a dependência do exterior, adiantando que a pandemia de covid-19 veio recordar de "forma ensurdecedora" essa urgência.


"A grande questão que esta pandemia da covid-19 nos recorda, com uma voz ensurdecedora, é a necessidade imperiosa de quebrar esta dependência do mundo exterior através do duplo imperativo de vivermos dos nossos recursos e de nos orientarmos rumo à industrialização", disse Moussa Faki Mahamat.

Para o presidente da Comissão da União Africana, num mundo em que o multilateralismo está a ser “gravemente posto à prova”, África “deve deixar de esperar pela salvação vinda de outros".

"África não pode continuar a dar-se por satisfeita com este papel de reserva eterna para uns, de lixeira para outros", acrescentou.

Numa mensagem, a propósito do Dia de África, que hoje se assinala, Moussa Faki Mahamat elogiou a resposta africana à pandemia de covid-19, onde o número de mortos atingiu hoje os 3.348 em mais de 111 mil casos de infecção em 54 países.

"África, para grande surpresa daqueles que sempre a consideraram pouco, mobilizou-se nas primeiras horas da pandemia. Foi desenvolvida e imediatamente implementada uma estratégia de resposta continental", apontou.

Defendeu, no entanto, que esta mobilização não pode limitar-se à conjuntura actual, antes deve servir para preparar o continente para o pós-pandemia.

"África é instada a traçar o seu próprio rumo. A sua dependência e insegurança alimentar são inaceitáveis e intoleráveis, tal como o estado das suas infraestruturas rodoviárias, portuárias, de saúde e de ensino", disse.

Para o presidente da comissão da UA, África têm "os recursos necessários para dar uma resposta suficiente às necessidades das suas populações".

Por isso, sublinhou, a opção tem de ser "por uma abordagem inovadora, mais introvertida do que extrovertida".

"Vivamos do que temos, pelo que temos, vivamos para as dimensões do que temos", acrescentou.

Para Moussa Faki Mahamat, este "movimento de introversão e confiança" das forças africanas será central para o "renascimento" do continente.

"A única forma de conter a covid-19 e as suas consequências desastrosas, de garantir a nossa suficiência alimentar, de criar milhões de empregos, de salvar as centenas de milhões dos nossos cidadãos hoje gravemente expostos a pandemias e perigos de todos os tipos, é a de uma verdadeira onda de solidariedade para uma resiliência africana verdadeira, forte e duradoura", reforçou.

África assinala hoje os 57 anos da criação da Organização da Unidade Africana (OUA).

Em Maio de 1963, à medida que a luta pela independência do domínio colonial ganhava força, líderes de Estados africanos independentes e representantes de movimentos de libertação reuniram-se em Addis Abeba, na Etiópia, para formar uma frente unida na luta pela independência total do continente.

Da reunião saiu a carta que criaria a primeira instituição continental pós-independência de África, a Organização de Unidade Africana (OUA), antecessora da actual União Africana.

A OUA, que preconizava uma África unida, livre e responsável pelo seu próprio destino, foi estabelecida a 25 de Maio de 1963, que seria também declarado o Dia de África.

Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, que reafirmou os objectivos de "uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus cidadãos e representando uma força dinâmica na cena mundial".