Sexta, 27 de Novembro de 2020
    |  Fale connosco  |   Assinante    
 

Mali: Missão da CEDEAO esperada sábado


21 Agosto de 2020 | 16h46 - Actualizado em 21 Agosto de 2020 | 15h33

Logotipo da CEDEAO Foto: Divulgacao

Bamako - A missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que se desloca ao Mali para ajudar a repor a ordem constitucional no país, é liderada pelo ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan e deve chegar sábado a Bamako.


"Receberemos com prazer a delegação da CEDEAO (...) É importante discutir com os nossos irmãos", disse hoje um elemento da junta militar, constituída após o golpe de Estado de terça-feira que levou ao derrube do Presidente e do Governo, citado pela agência France-Presse.

A delegação vai a Bamako para "ajudar a encontrar soluções", depois dos militares tomarem o poder na terça-feira, disse também hoje à agência noticiosa uma fonte da CEDEAO na capital do Mali.

Os chefes de Estado da CEDEAO, que se reuniram na quinta-feira em cimeira sobre a situação no Mali, apelaram, após o encontro, ao regresso ao poder do Presidente Ibrahim Boubacar Keita, e decidiram impor um embargo económico parcial ao país, na sequência do golpe militar, e enviar "imediatamente" uma delegação a Bamako, capital do país.

"Pedimos a restituição do Presidente Ibrahim Boubacar Keita como Presidente da República", disse o chefe de Estado do Níger, Mahamadou Issoufou, que preside agora à CEDEAO, no final de uma cimeira virtual.

Além disso, anunciou: "Decidimos enviar imediatamente uma delegação de alto nível para assegurar o regresso imediato da ordem constitucional".

O Presidente do Níger abriu a cimeira sobre o Mali considerando que a "situação é grave" naquele país e que esta terá consequências em termos de segurança para a região.

"Temos portanto perante nós uma situação grave cujas consequências em termos de segurança para a nossa região e para o Mali são óbvias. Esta situação é um desafio para nós e mostra-nos o caminho que falta percorrer para o estabelecimento de instituições democráticas fortes no nosso espaço", disse Mahamadou Issoufou, citado pela France-Presse.

"Este é o lugar para recordar que, em 2012, outro golpe de Estado permitiu que organizações terroristas e criminosas ocupassem durante várias semanas dois terços do território do Mali", recordou o Presidente do Níger.

O chefe de Estado pediu aos seus pares que "examinassem as várias medidas" na "perspectiva de um rápido regresso à ordem constitucional".

A CEDEAO é uma organização regional com 15 Estados-membros.

O Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, anunciou a demissão na madrugada de quarta-feira, horas depois de ter sido afastado do poder num golpe liderado por militares, após meses de protestos e agitação social no país.

A acção dos militares já foi condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU), União Africana, CEDEAO e União Europeia (UE).

Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da ONU e da UE.

Antigo primeiro-ministro (1994-2000), Ibrahim Boubacar Keita, 75 anos, foi eleito chefe de Estado em 2013, e renovou o mandato de cinco anos em 2018.