Sexta, 27 de Novembro de 2020
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Cabo Verde abre concurso para contar com mais 120 polícias em 2021


14 Outubro de 2020 | 19h16 - Actualizado em 14 Outubro de 2020 | 19h16

Bandeira de Cabo Verde Foto: Divulgação

Praia - A Direcção Nacional da Polícia Nacional cabo-verdiana abriu hoje um concurso público para recrutar 120 agentes, que serão formados durante seis meses, sendo este também o limite da capacidade formativa do país.


De acordo com os termos do concurso publicado hoje, aberto por 20 dias e que é lançado anualmente, os agentes serão formados pelo Centro Nacional de Formação da Polícia Nacional, na Praia.

Os candidatos a seleccionar têm de ter nacionalidade cabo-verdiana e idade compreendida entre os 21 e os 28 anos, bem como habilitações mínimas ao nível do 12º ano de escolaridade, estando obrigados a realizar provas físicas e teóricas, uma inspecção médica e uma entrevista, entre outras exigências.

Além disso, o regulamento do concurso define que “devido à propagação de covid-19” no arquipélago, “pode ser exigido a cada candidato” a apresentação de um resultado negativo para o novo coronavírus, através de um teste rápido de despiste, a ser efectuado 72 horas antes da realização de cada fase das provas.

A Polícia Nacional cabo-verdiana perde anualmente quase meia centena de efectivos, entre reformas e agentes que emigram, e apenas consegue formar 120, o que está a dificultar o reforço do contingente, que ronda os 1.900 polícias, explicou à Lusa, em Dezembro de 2019, o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

Segundo o governante, a Polícia Nacional contava então com pouco mais de 1.900 efectivos (para quase 600 mil habitantes e 819 mil turistas em 2019), distribuídos por esquadras e postos nos 22 municípios do país e nas diferentes unidades, do patrulhamento à Polícia Marítima, passando ainda pela Divisão de Estrangeiros e Fronteiras.

“É suficiente o contingente que nós temos? Ainda não é. Nós temos problemas sérios de limitação de pessoal e problemas sérios em alguns lugares no que tange a carga horária, em algumas ilhas”, admitiu o governante.

Em 2019 foram formados na Escola de Polícia de Cabo Verde 120 novos agentes, distribuídos por todo o país a partir do final do ano.

O ministro explicou que 120 elementos representa a capacidade máxima actual da escola de polícia para aquartelamento dos formandos para os seis meses de formação necessários. Daí que, apesar do contexto de criminalidade que a capital viveu no final de 2019 e da saída de elementos – segundo Paulo Rocha pelo menos 400 efectivos da Polícia Nacional foram para a reforma nos últimos anos - o recrutamento que então estava já previsto para 2020 não poderia exceder essa previsão.

“Este ano [2019] vamos perder 44 a 45 efectivos [reformas e abandonos]. No ano passado perdemos um número idêntico (…) De modo que entram este ano 120 agentes e vão sair cerca de 50”, reconheceu.

Apontou ainda o abandono voluntário entre o efectivo da Polícia Nacional, nomeadamente para a emigração, como outro dos problemas, sobretudo dos agentes colocados nas ilhas do Fogo e da Brava, com fortes comunidades emigrantes nos Estados Unidos.

Segundo Paulo Rocha, um levantamento anterior apontava que a Polícia Nacional deveria chegar a 2025 com um contingente de 2.700 polícias: “Nós ainda nem chegámos aos 2.000 (…) O desejado é que o rácio a nível nacional seja de um agente por 250 habitantes. Nós ainda andamos longe disso. Em algumas localidades estamos a um agente para 350 habitantes, 300 habitantes. Noutra localidades estamos muito, muito distantes disso”.