Sexta, 27 de Novembro de 2020
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Oposição moçambicana acusa partido no poder de coação sobre militantes


14 Outubro de 2020 | 21h31 - Actualizado em 14 Outubro de 2020 | 19h29

Bissau - A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) acusou hoje a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder) de coagir membros do principal partido da oposição, forçando-os ao pagamento de quotas e tornando-os seus militantes.


"Há casos em que os membros da Renamo são obrigados a pagar quotas a favor do partido Frelimo", disse o secretário-geral do principal partido da oposição, André Magibire, falando no discurso de abertura da reunião nacional de quadros da organização

André Magibire explicou que no distrito da Gorongosa, província de Sofala, centro de Moçambique, os dirigentes da Frelimo têm coagido os militantes da Renamo a "entregar-se" às fileiras do partido no poder, forçando-os a pagar quotas.

"Se você for delegado distrital [da Renamo] paga cinco mil meticais", o equivalente ao salário mínimo tabelado em muitas profissões, "e se for outro membro qualquer entrega-se e paga 500 meticais", acusou aquele responsável político.

André Magibire descreveu como "martírio" o ambiente em que os militantes da Renamo exercem a actividade partidária nas províncias de Manica e Sofala, centro do país, devido ao elevado nível de perseguição a que têm sido sujeitos.

O secretário-geral da Renamo considerou a alegada repressão aos membros do partido contrária ao espírito e letra do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado a 06 de agosto de 2019, reiterando o compromisso do partido com o respeito pelo entendimento.

"Os colegas estão a ser desmobilizados [da guerrilha da Renamo], porque já não queremos mais uso das armas, queremos fazer política, queremos que os combatentes vão para as suas casas e se insiram na sociedade", frisou André Majibire.

No âmbito do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional está em curso o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) de guerrilheiros da Renamo, tendo sido abrangidos 1.075 ex-guerrilheiros de um total de cinco mil que vão ser contemplados.

Apesar de progressos registados no processo, um grupo dissidente da Renamo (autoproclamado como Junta Militar) contesta a liderança do partido e o acordo de paz, sendo acusado de protagonizar ataques visando forças de segurança e civis em aldeias e nalguns troços de estradas da região centro do país.

A autoproclamada Junta Militar da Renamo é liderada por Mariano Nhongo, um antigo dirigente de guerrilha, que exige melhores condições de reintegração e a demissão do actual presidente do partido, Ossufo Momade, acusando-o de ter desviado o processo negocial dos ideais do seu antecessor, Afonso Dhlakama, líder histórico que morreu em maio de 2018.

A Lusa não conseguiu obter uma reacção da Frelimo às acusações que lhe são imputadas pela Renamo.