Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Ilhas Maurícias lançam projecto de museu internacional de escravatura


22 Outubro de 2020 | 13h37 - Actualizado em 22 Outubro de 2020 | 13h10

Port-Louis - O primeiro-ministro maurício, Pravind Jugnauth, lançou esta terça-feira a primeira fase de um projecto de Museu Intercontinental da Escravatura (ISM), soube a PANA de fonte oficial no local.


O objectivo é criar um “local de consciência” consagrado a uma melhor compreensão da história dos Maurícios e do impacto da escravatura e do comércio internacional dos escravos nas ilhas Maurícias, segundo a mesma fonte.

Na ocasião, Jugnauth sublinhou que os Maurícios não devem esquecer a sua história mas que a devem reconhecer, bem como sacrifícios e contribuições dos escravos e dos  descendentes de escravos que construíram as ilhas Maurícias e fizeram com que o país conseguisse chegar a esta etapa em que ele está hoje.

"Por isso, em 2001, no dia 1 de Fevereiro, foi declarado feriado" , afirmou o chefe do Governo maurício, explicando que o museu rastreará  a história da escravatura não apenas nas ilhas Maurícias e na região mas também nos países onde os escravos eram explorados.

"O museu aspirará a ajudar todos os cidadãos e estrangeiros a compreenderem e recordarem-se dos dias sombrios que marcaram a história da humanidade”, afirmou.

De acordo com os Serviços de Informação do Governo em Port-Louis, Jugnauth sublinhou a determinação do Governo a concretizar a instalação do museu em conformidade com uma das recomendações formuladas num relatório da Comissão Verdade e Justiça.

Por sua vez, o ministro das Artes e Património Cultural, Avinash Teeluck, afirmou que “as ilhas Maurícias dão o exemplo no plano internacional, no que diz respeito à preservação da sua história, à comemoração do seu património e à contribuição dos seus antepassados.”

Numa mensagem dirigida ao público, a directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, declarou que o museu colmatará um vazio.

"Pois não existe, até agora, nenhum lugar que possa ser explorado e estudado e transmitir relatos desconhecidos sobre a escravatura e o comércio dos escravos no Oceano Índico”, frisou.

Um funcionário do Ministério das Artes e Património Cultural indicou que o projecto de Museu Intercontinental da Escravatura será executado em duas fases na zona do hospital militar, criado há 280 anos e construído por escravos em 1749 na era do governador Mahé de La Bourdonnais, primeiro governador francês a ter residido em permanência nas ilhas Maurícias.