Terça, 24 de Novembro de 2020
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Governo quer investimento na cibersegurança


27 Outubro de 2020 | 11h22 - Actualizado em 27 Outubro de 2020 | 19h11

Secretário de Estado das Telecomunicações, Mário Augusto Oliveira (arquivo) Foto: Gaspar dos Santos

Luanda - O secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Mário de Oliveira, exortou, nesta terça-feira, as empresas angolanas a investirem na cibersegurança, como forma de se prevenirem contra ataques cibernéticos e danos às suas estruturas.


Segundo o responsável, que falava na sessão de abertura do Webinar sobre Cibersegurança em Angola, numa promoção do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, com o aumento do uso das tecnologias de informação no dia-a-dia das empresas, é de vital importância que se previnam de acções maliciosas.

Mário de Oliveira avançou que face à pandemia da Covid-19, o mundo empresarial angolano registou um aumento no uso das tecnologias de informação e comunicação, aumentando também os riscos de ataques cibernéticos.

Apelou, deste modo, as corporações empresarias a olharem, seriamente, para a cibersegurança.

“A vulnerabilidade das empresas angolanas é crítica, já que muitas delas não possuem colaboradores treinados e técnicos preparados para identificar, classificar, analisar e evitar os riscos de ataques cibernéticos”, frisou.

Para Mário de Oliveira, 90 por cento dos ataques cibernéticos registados podem ser evitados se as corporações apostarem em medidas fortes de cibersegurança, entre as quais aponta a criação de passwords complexos e robustos, alteração regular das passwords, não abertura de mails de origem desconhecidos,  e não acessos a páginas desconhecidas.

Aconselha, por esta razão, as empresas a tomarem medidas proactivas de segurança para melhor se prevenirem e evitarem danos maiores que possam colocar em causa à sua sustentabilidade e funcionamento.  

De acordo com o responsável, apostar na cibersegurança é apostar na protecção das pessoas individuais e colectivas, nas empresas, nos governos, na economia, na segurança nacional, evitando riscos/crises que podem colocar em causa a soberania do país.

Por seu turno, o superintendente-chefe Francisco Cuio, do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que falou sobre “os crimes informáticos à luz do futuro Código Penal”, apontou como crimes mais comuns em Angola a clonagem de cartões Visa e Multicaixa, transferências ilícitas via internetbanking, a difamação ou calúnia, a venda simulada de produtos via Internet, a injúria, os furtos, as ameaças, as violações dos direitos autorais, a inserção de falsos dados no sistema informático, a divulgação de segredos, furto e o incitamento à violência e ao crime.

Aconselhou os usuários das redes sociais para um uso responsável e com sabedoria, evitando passar informações a pessoas desconhecidas.

O director de auditoria e inspecção da Agência de Protecção de Dados, Cruz da Gama, que abordou “a importância da sensibilização em matéria de cibersegurança”, reforçou a necessidade de maior cuidado e atenção para se evitar danos causados por ataques cibernéticos.

O aumento do número de usuários das tecnológicas de informação e comunicação, a nível mundial, cujos dados rondam os 4.54 bilhões, segundo Cruz Gama, trouxe consigo desafios que exigem medidas acertadas e respostas rápidas em termos de protecção de dados.

Informou que o plano estratégico da Agência Nacional de Protecção de Dados está direccionado a sensibilização das comunidades para a exploração dos meios digitais para o reforço da mensagem, utilização de canais electrónicos para a comunicação bidireccional com os cidadãos, entre outros, tendo, sempre, presente a necessidade da protecção dos dados.