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Falta de jogos "ofusca" Ombaka


07 Setembro de 2020 | 05h29 - Actualizado em 07 Setembro de 2020 | 13h10

Benguela - Onze anos depois, o Estádio de Ombaka, em Benguela, é dos poucos construídos por ocasião do Campeonato Africano das Nações em futebol (CAN'2010) que continua quase intacto.


Diferente das restantes infra-estruturas erguidas com fundos públicos, para servir de suporte àquele evento, o campo mantém-se com a relva tratada e a estrutura conservada para a prática de futebol.

Entretanto, o imóvel vive um dilema que preocupa os amantes do desporto e levanta dúvidas quanto aos projectos de rentabilização: está subaproveitado.

Erguido em Benguela, província com histórico no futebol e no desporto em geral, o Estádio de Ombaka não vive os problemas estruturais e de falta de manutenção de que padecem, por exemplo, o 11 de Novembro (Luanda), o Chiazi (Cabinda) e Tundavala (Huíla).

Localizado na zona da Graça, arredores da cidade de Benguela, o imóvel, com capacidade para 35 mil espectadores, é o palco principal do Wiliete Sport Club, promovido à primeira divisão na edição transacta do Campeonato Nacional (Girabola).

Contas feitas, albergou pouco menos de 18 jogos do cancelado Campeonato 2019/20, incluindo os dois da Académica do Lobito diante do 1.º de Agosto e do Petro de Luanda.

Na condição de anfitrião, os académicos evoluem no Campo do Buraco, sendo que o uso do Ombaka decorre da necessidade de atrair maior público, quando mede forças com estes dois “colossos” da modalidade no país.Trata-se de um caso de bilhética.  

Apesar dos USD 116 milhões empregues na sua construção, o espaço não tem tido a serventia desejada, tal como as estruturas em seu redor, que podem ser usadas como escritórios, lojas e restaurantes.

O imóvel rende em média AKz 200 mil por jogo, enquanto para a sua manutenção são necessários Akz um milhão e 200 mil/mês.

Com tudo parado, inclusive as actividades culturais e recreativas, que arrecadavam algum valor monetário, o Departamento para o Desporto do Gabinete Provincial do Turismo, Cultura, Juventude e Desportos, entidade gestora, trabalha na manutenção gradual da infra-estrutura, apesar da exiguidade das verbas.

Conforme o chefe do departamento do órgão gestor, Júlio Paiva, estando a relva bem tratada, trabalha-se na requalificação e pintura das estruturas metálicas do 1º e 2º piso, melhoramento da área de imprensa e rede eléctrica, afectadas por tão pouco uso.

Segundo a fonte, que falava à ANGOP no âmbito de uma série de reportagens sobre as infra-estruturas desportivas no país, a única situação preocupante é a rotura da tubagem exterior do estádio, embora reconheça avanços na sua recuperação.

“O Ombaka foi construído há mais de 10 anos e já devia beneficiar de manutenção mais profunda”, admite, acrescentando que a verba, proveniente do Ministério da Juventude e Desportos (escusou-se a citar quanto), não cobre totalmente as necessidades.

Júlio Paiva aponta como caminho para a arrecadação de receita a terciarização de serviços, com o aluguer dos espaços comerciais, hoteleiros e instituições bancárias ao redor da infra-estrutura.

Para si, a zona adjacente ao estádio também pode ser melhor aproveitada de diversas maneiras, transformando o Ombaka numa área comercial e de serviços.

Actualmente, parte do edifício alberga, gratuitamente, o Serviço de Migração e Estrangeiros, bem com o Gabinete Provincial do Turismo, Cultura, Juventude e Desportos, esta última responsável pela sua gestão e manutenção.

Antigo craque da selecção nacional lamenta situação

Osvaldo Roque “Jony”, antigo jogador dos Palancas Negras, lamenta o facto de o Estádio de Ombaka ter pouco uso, tal como o subaproveitamento a que estão vetados os outros três também construídos por ocasião do CAN2010.

O ex-médio refere que, não obstante o momento difícil do país, devido à crise económica e à pandemia da Covid-19, as entidades de direito devem criar, sobretudo, politicas de rentabilização dos imóveis

Aponta, igualmente, a necessidade de melhorias da rede de transportes públicos para acesso ao Estádio de Ombaka, bem como serviços no próprio recinto, como restauração, lojas diversas e bancos, para atrair público e possibilitar a arrecadação de receitas.

Para “Jony”, outra saída pode ser a realização de eventos culturais, como espectáculos musicais e feiras. “Gastou-se muito dinheiro na construção deste estádio, por isso é necessário que haja estratégia para rentabilização e melhor utilidade pública”, referiu.

Hoje, quase sem uso regular, o Estádio de Ombaka já teve melhores dias quando acolhia diversas actividades culturais e recreativas, provas de karting (zona exterior), diversas feiras nacionais e internacionais.

O empreendimento, que ocupa uma área de 41 mil e 500 metros quadrados, tem um terreno de futebol com 68 metros de largura e 105 de comprimento.

O estádio foi concebido em betão armado tradicional, com fundações por estacas de 80 centímetros de diâmetro e com profundidades até 20 metros.

Possui uma estrutura de cobertura metálica com cerca de 16.378 metros quadrados, cujo topo situa-se a 40.036 metros de altura a partir do nível térreo.

Com oito acessos para espectadores, o estádio dispõe de 68 lugares para deficientes físicos e 256 para personalidades Vips, quatro entradas para veículos de carga, além de um parque de estacionamento para três mil e 365 viaturas e 537 autocarros.

O recinto comporta salas para entidades, de reuniões, transmissão de TV e rádio, ginásio, centro de imprensa, de comércio, centros de controlo de fogo, enfermaria, posto de controlo geral, sala de conferência de imprensa e vestiários.

Dois postos de transformação de quatro mil kva de potência asseguram o fornecimento de energia eléctrica, além de dois grupos geradores, enquanto o sistema de águas de Benguela encarrega-se do fornecimento do produto ao campo, que tem reservatórios.

Situado no bairro Nossa Senhora da Graça, a cinco quilómetros a Nordeste da cidade de Benguela, o Estádio Nacional de Ombaka acolheu o grupo C da Taça das Nações, composto pelas selecções do Egipto, Moçambique, Nigéria e Benin.

Hoje, os amantes de futebol na província vivem com a vontade de ver desfilar, com regularidade, naquele tapete, estrelas nacionais como Ary Papel, Job e Yano (Petro de Luanda), Paty e Mano Calesso (Interclube), Luís Tati e Cachi (Sagrada Esperança) ou Viete e Sidnei (Recreativo do Libolo).

Na verdade, o momento também é de nostalgia para quem vivenciou grandes dias de euforia pelo futebol e o desfilar de estrelas internacionais como Samuel Eto'O e Alexandre Song (Camarões), Mohamed Geddo e Ahmed Hassan (Egipto), Obi Mikel e Peter Odemwingie (Nigéria), Tico Tico e Chapanga Samuel (Moçambique).