Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Níveis de captura de pescado aumentam no 1º trimestre


17 Junho de 2020 | 18h00 - Actualizado em 17 Junho de 2020 | 17h59

Peixe Sardinha, espécie pelágica Foto: Rosario dos Santos

Benguela - Os níveis de captura de pescado dos armadores da província de Benguela atingiram as 20 mil e 500 toneladas, durante o 1º trimestre do ano em curso, mais dois por cento em relação ao período homólogo de 2019, informou hoje, quarta-feira, nesta cidade, o director do Gabinete local da Agricultura, Pecuária e Pescas, José Gomes.


Segundo o responsável, que falava à Angop, esse incremento deve-se a uma série de investimentos feitos no sector, nos últimos cinco anos, como a aquisição de unidades industriais e semi-industriais dotadas de tecnologia e com capacidade de percorrem várias milhas náuticas, algumas vezes fora das águas territoriais da província, a procura de cardumes.

O responsável, que admite alguma escassez de pescado nas águas territoriais de Benguela, indicou que, entre as várias razões, as condições climatéricas adversas e a falta de práticas de sustentabilidade no processo piscatório estão a influenciar negativamente no índice da captura e das respectivas biomassas, levando a que as capturas sejam feitas a muitas milhas de distância e apenas com navios modernos e tecnicamente capazes.

Indicou que, destes números, as espécies mais capturadas foram as pelágicas, mormente a sardinha e o carapau, sendo que, estas duas espécies, representam 60 e 11 por cento do total das capturas, respectivamente, porém, reconhece que os níveis das biomassas baixaram consideravelmente por diversas razões, entre as quais as naturais e a acção humana.

José Gomes afirmou que a estratégia do ministério de tutela para recuperação dos recursos passa pelo combate à pesca ilegal, bem como o cumprimento rigoroso das medidas de gestão dos recursos.

Aliás, acrescentou, uma dessas medidas tem a ver com a “veda do carapau que teve inicio a 01 (um) de Junho e vai até Agosto próximo, de modo a preservar o seu período de desova”.

Em relação ao desempenho da fiscalização marítima, informou que, tendo em conta a exiguidade de recursos humanos (conta apenas com 20 fiscais dos cerca de 200 que seriam necessários em condições normais, a julgar pela extensão da costa oceânica), o sector apoia-se nos parceiros, como são os casos da capitania e a polícia fiscal que realizam patrulhas conjuntas.  

O director, que não agregou a produção referente a aquicultura, informou que, actualmente, a província conta com 64 armadores de pesca industrial e semi-industrial e perto de dois mil armadores de pesca artesanal, previamente licenciados.

Em relação aos crustáceos, informou que a sua captura tem sido efectuada pelos dois subsectores, industrial e artesanal, que terá resultado em 75 toneladas de gambas, seis mil toneladas de alistados e 80 toneladas de caranguejo durante o primeiro trimestre de 2020.

Quanto ao sal, frisou que Benguela está num bom caminho, já que, até 2015, a província tinha como metas a produção anual de 30 mil toneladas, ao contrário da actualidade, onde essa produção faz parte de um trimestre.

Até aqui, considerou serem visíveis os investimentos no sector, o que terá permitido uma produção de 27 mil toneladas durante o primeiro trimestre, uma safra que, entre 2015/2016 era a meta anual e 70 mil toneladas até segunda-feira, 16 de Junho.

“Devemos ressaltar a ampliação e modernização das salinas, o que já começa a dar os seus resultados”, disse, sublinhando que, até finais do ano, a província pode ultrapassar as 150 mil toneladas de sal.  

Para sua satisfação, admitiu, se aglutinar-se a produção de todo país, os produtores de sal estão próximos de atingir a meta global do ministério de tutela que estabelece uma necessidade global de 250 mil toneladas.

Para sustentabilidade dos recursos, afirmou que pescar sim, mas com responsabilidade, dai que vão sendo redobradas as metodologias de vigilância em prol da protecção das espécies marinhas.

Para Benguela, pelo menos 60 licenças de pesca industrial e semi-industrial foram emitidas pela autoridade competente (mistério de tutela) e 30 novas de carácter artesanal foram igualmente emitidas localmente, além de outras renovadas.