Terça, 01 de Dezembro de 2020
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Agro-negócio em Malanje quer prosperar, mas está condicionado


05 Julho de 2020 | 11h42 - Actualizado em 05 Julho de 2020 | 11h39

Malanje - A província de Malanje já despontou em tempos idos na actividade do agro-negócio, tendo alcançado na década de 1970 e 80 lugares cimeiros na produção do algodão, sisal, café, mandioca, mel e batata-doce e rena, mas depois foi perdendo essa dinâmica devido ao fraco investimento nos factores de produção.


Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pescas, na fileira de raízes e tubérculos, Malanje produziu, na campanha de 2018/2019, um milhão, 627 mil e 70 toneladas, o que corresponde a 14,6% do total da produção do país e uma produtividade de 13 mil e 763 kg/hectar, o que coloca a província no top cinco dos maiores produtores do país, neste segmento.

Esses números ainda estão muito aquém do potencial da província devido ao desinvestimento nos factores de produção, ao fraco investimento na formação dos camponeses e de empresários agrários, nas infra-estruturas de conservação e transformação, assim como as vias para permitir o rápido escoamento da produção.

Apesar dessas dificuldades, pequenos, médios grandes agricultores mantém “acesa a chama” do compromisso de missão de tornar Malanje num dos maiores celeiros de produção em grande escala do país.

Malanje tem hoje alguns projectos referências no domínio do agro-negócio que necessitam de novos impulsos, como as fazendas Kizenga, Pedras Negras, Biocom, entre outros, para fazer despontar a produção em grande escala noutras fileiras, como as das oleoginosas e leguminosas.

Na safra de 2018/2019, essa província produziu 40 mil e 540 toneladas de oleaginosas e legumnosas, correspondendo a 7,1% da produção global, e uma produtividade de 638 kg/hectar.

No período em análise, a província produziu 110 milhões, 377 mil e 194 ovos, o que representa 10,1% da produção global do país.

A produção de carne bovina, caprina e suína em Malanje atingiu na época 2018/2019 14 mil e 770 toneladas, perfazendo 10,8% do total da produção do país.

Apesar das estatísticas do sector não serem abrangentes, grande parte, senão mesmo a maioria, labuta com recursos próprios, mas agora que se abriu a “Janela de oportunidade do Prodesi muitos estão a recorrer à banca para financiarem-se, embora estejam a encontrar dificuldades para convencer os bancos da viabilidade dos projectos e da capacidade de reembolsos.

A respeito do desenvolvimento e as dificuldades porque passam os homens ao agro-negócio, o director do Gabinete Provincial da Agricultura, Carlos Chipoia, diz à Angop que a actividade na província ainda não ganhou expressividade devido à sua complexidade e exigência de recursos financeiros elevados.

Explica que o agro-negócio começa com os factores de produção e nesse quesito há muitas debilidades, porque Malanje conta com apenas três lojas de venda de equipamentos e insumos agrícola e estas enfrentam dificuldades de satisfazer a procura dos clientes.

Carlos Chipoia realça ser oportuno haver lojas do género em todos os municípios, para aumentar a oferta e facilitar os agricultores na aquisição de instrumentos, como enxadas, catanas, machados, bem como fertilizantes e sementes.

Detalha que outra preocupação se prende com a dificuldade de colheita e escoamento dos produtos devido ao estado de degradação das vias de acesso, bem como de transformação dos produtos, com excepção da mandioca e milho, que são transformados em bombo, fuba e ração animal.

Apesar do mar de dificuldades que os camponeses e grandes agricultores enfrentam, diz  haver uma significativa produção interna, essencialmente das culturas de arroz, milho, feijão, mandioca, batata doce e rena, ginguba e frutas.

Ele vai mais longe e enfatiza que devia se melhorar, porque Malanje tem potencial, mas o problema está na parte dos agentes económicos em apostar na agricultura enquanto factor de desenvolvimento e de geração de renda.

Relativamente à capacidade de produção dos agricultores em Malanje, o director realçou ser razoável, sendo os alimentos da primeira linha, os mais produzidos, mas defende a necessidade de aumento.

No que toca aos produtos inscritos na lista dos 54 bens de grande consumo no país, sobretudo os da cesta básica, previstos no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (Prodesi), Carlos Chipoia disse que a província tem bons indicadores, mas cabe agora ao Estado definir as metas de produção.

Enquanto isso, o director do Gabinete de Desenvolvimento Económico e Integrado de Malanje, José Domingos, lembrou que o incremento de produtos da cesta básica e outros, inscritos no Prodesi, vai permitir ao país retomar a rota do crescimento económico.

Sublinha a necessidade dos empresários envolvidos nessa tarefa conhecerem primeiro o mercado, com vista a poderem direccionar o tipo de bens e as zonas de exportação, usando a sua capacidade criativa.

Exortou os empresários locais a acorrerem aos bancos para obtenção de crédito, com a finalidade de participarem na produção dos 54 bens, sobretudos os da cesta básica, previstos no âmbito do Prodesi, embora 101 empresas de Malanje tenham já se candidatado a financiamento no âmbito do PAC (Programa de Apoio ao Crédito), através de vários bancos comerciais.

Sobre o assunto, o proprietário da Fazenda “Bem-vinda”, situada no município de Cacuso, José Semedo, refere que a produção interna tem estado a dar sinais de crescimento, com vista a redução das importações, mas há necessidade de mais trabalho.

Para o efeito, disse que os bancos comerciais devem abandonar a burocracia e eliminar os entreves e prestar maior apoio às iniciativas de produção, uma vez que os produtores e agricultores enfrentam muitas dificuldades na aquisição de equipamentos, sementes e fertilizantes.

Informou que trabalhar no cultivo de feijão e milho para transformação de fuba e ração animal, para dar resposta ao programa do Ministério da Agricultura de fomento da pecuária e avicultura.

Acrescentou que foram cultivados 150 hectares de feijão e 150 hectares de milho, cuja colheita dessa última cultura, destina-se, além do consumo humano, à produção de ração animal em grande escala, sendo que foi contemplada com 10 tractores pelo Ministério da Agricultura.

Com os 10 tractores, explica, a fazenda tem prestado serviço de preparação de terras para os camponeses do município de Cacuso produzirem e pagarem com recurso a própria produção.

A respeito, o empresário e proprietário da “Fazenda Malheiro”, Vunda Malheiro, entende que o sucesso do agro-negócio está dependente do apoio da banca e de incentivos do Estado.

Informou que a sua empresa já aderiu ao PAC e aguarda por um financiamento de 398 milhões de kwanzas do Banco BIC, para fomentar a produção de milho, um projecto anteriormente já desenvolvido, mas que paralisou por vários motivos.

Contou que o valor em causa se destina à aquisição de tractores e outros equipamentos, bem como sementes e fertilizantes para a reactivação da produção de milho e produzir ração animal.

Referiu que o projecto contempla 600 hectares para a produção do cereal e já foi avaliado pelo Banco BIC, estando o financiamento condicionado apenas a uma declaração de não devedor do INSS (Instituto Nacional de Segurança Social), cujo processo decorre.