Segunda, 30 de Novembro de 2020
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Falta de algodão condiciona produção da Alassola


08 Julho de 2020 | 19h04 - Actualizado em 08 Julho de 2020 | 19h04

Benguela: INSTALAÇÕES DA ALASSOLA, EX-ÁFRICA TêXTIL Foto: Carlos Benedito

Benguela - A fábrica têxtil Alassola, localizada nos arredores da cidade Benguela, enfrenta, desde o segundo semestre de 2019, uma rotura do stock de algodão, o que condiciona a sua produção, informou hoje, quarta-feira, o presidente do seu conselho de administração, Tambwe Mukaz.


Segundo o gestor, que falava à Angop, a unidade de produção (antiga África Têxtil) está concebida para funcionar, em simultâneo, com quatro sectores, nomeadamente a fiação, tecelagem, beneficiação ou tinturaria e a confecção, mas quase nada faz por falta de algodão, sua principal matéria-prima.

Tambwe Mukaz referiu que a importação de algodão passa por uma garantia de crédito bancário, situação que só será resolvida com a conclusão do processo de privatização em curso da unidade.

Neste âmbito, a Alassola, que é também candidata no processo de privatização desta unidade fabril, caso vença o concurso, garante investir na produção interna de algodão, incentivando desta forma as populações das regiões tradicionais no seu cultivo, nomeadamente Cuanza Sul, Malange e Icolo e Bengo (Luanda).

O responsável afirmou que, em função da realidade da empresa, dos 300 funcionários que tiveram formação específica, apenas 175 foram recrutados e, destes, somente 32 estão enquadrados na área de confecção e 53 outros pertencem à segurança patrimonial, o que totaliza 85 trabalhadores assalariados actualmente. O restante está em casa com contrato suspenso.

Tambwe Mukaz acrescentou que, em pleno funcionamento, a empresa tem capacidade para empregar, de forma directa, até 1.200 trabalhadores, porém, a realidade actual impede que sejam absorvidos os 300 inicialmente formados na modalidade ”on-job”.

Aliás, disse, a actual situação jurídica da empresa não tem facilitado a situação, já que a mesma vive um processo de privatização.

“Tendo em conta que a Alassola acompanhou a empresa desde a sua reabilitação até a fase operativa inicial, estamos a participar do concurso de privatização, cujo processo decorre até sete (7) de Agosto próximo, no quadro do Programa de Privatizações, vulgo Propriv”, sublinhou.

Para o pca, o governo angolano é o proprietário do empreendimento a cem (100) por cento e está a vendê-lo, podendo os concorrentes apresentarem propostas ao Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) até 07 de Agosto, e a Alassola está a concorrer por estar interessada na gestão global da infra-estrutura.

Sendo a actual depositária da unidade fabril, a Alassola decidiu enveredar pela produção de máscaras faciais (em função da covid-19), na proporção de duas mil unidades/dia, estando a distribuí-las a distintos interessados.

Entre os interessados, apontou o ministério da Justiça, os Governos do Huambo, Namibe, empresas Porto do Lobito, Ghassist, clínica Girassol, Hospital Geral do Lobito e unidades hoteleiras locais, além de doações efectuadas ao governo local para atender as franjas mais necessitadas.

O responsável apontou como outro constrangimento, o consumo de energia eléctrica, ainda dependente de fontes térmicas internas, cuja capacidade instalada ronda os 18 Megawatts de capacidade nominal, numa despesa com custos que rondam os 35 por cento do valor global de produção.

Por esta razão, afigura-se difícil a actual situação produtiva da empresa e, enquanto a situação de privatização não estiver definida por concurso, mais difícil será o acesso às facilidades de financiamento existentes na banca comercial, tendo em conta a necessidade de garantias bancárias, acrescentou o gestor.

A Alassola é uma empresa 100 por cento de direito angolano, que opera na província de Benguela. É a sucessora da extinta África Têxtil, paralisada em 1998 e que declarou falência em 2000.