Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Angola possui potencialidades para combater a fome - FAO


13 Julho de 2020 | 16h46 - Actualizado em 13 Julho de 2020 | 17h01

Bandeira de Angola e o Logotipo do FAO Foto: Divulgação

Benguela - Angola dispõe de "exuberantes e imensuráveis" recursos hídricos e condições climatéricas favoráveis à produção agro-alimentar, o que possibilitará ao país, a curto ou médio prazo, reduzir a pobreza e combater a fome, afirmou, nesta segunda-feira, em Benguela, o conselheiro técnico da FAO, Domingos Diogo.


Segundo o quadro sénior da FAO, que falava em exclusivo à ANGOP, outro recurso preponderante para ajudar o país a desenvolver uma produção agrícola em grande escala, são os solos férteis, o que possibilitará a Angola ser auto-suficiente em alimentos e exportar o excedente.

Neste momento, frisou, o país tem uma franja da população com alguns problemas de natureza alimentar, sobretudo de natureza nutricional, devido, em parte, a falta de conhecimento da combinação da alimentação, o que constitui um aspecto de ordem educacional das pessoas no que tange à nutrição, mormente uma boa combinação dos alimentos que são produzidos localmente.

Por outro lado, disse haver necessidade de diversificação da produção, para se garantir uma maior variedade de alimentos, mas, no geral, o país está em condições de produzir os seus bens alimentares.

Para o conselheiro técnico principal, é certo que há pouco tempo foram registadas algumas intempéries naturais, como foi o caso da estiagem e seca no sul do país, o que obrigou a mobilização de recursos, mas, com o tempo e, com boa organização, essas dificuldades podem ser ultrapassadas.

“Pessoalmente, acredito que Angola pode superar as dificuldades que tem, no âmbito alimentar”, referiu, assegurando a parceria da FAO com os países do continente africano.

Domingos Diogo, que enfatizou a assistência essencialmente técnica, indicou que esta organização mundial conta com algumas “escolas de campo” que prestam formação a pessoas dedicadas à agricultura, estando estas escolas em determinadas regiões do país, que não precisou.

Além da assistência técnica, por meio de escolas de campo, onde são ministrados conhecimentos científicos sobre as práticas e tecnologias modernas, apontou a existência de alguns “projectos específicos” que beneficiam certos produtores, com vista a terem acesso aos insumos agrícolas para melhorar a produção, reforçando o seu papel de parceiro tradicional.

Afirmando-se mais focado no processo de preparação do Recenseamento Agro-Pecuário e Pesca, indicou que, por enquanto, Angola conta com três consultores da FAO que, ao mais alto nível, já começaram com acções formativas que estão agora a estender-se ao interior do país.

O especialista disse que a FAO repartiu o país por três regiões, onde decorrem acções formativas, nomeadamente os seminários em curso nas províncias de Benguela, Malange e do Bengo (todas de carácter regional).

Nestas províncias, Domingos Diogo informou que a FAO tem a função de monitorar e aconselhar os formadores sobre a necessidade de se obter dados puramente fiáveis, em prol da qualidade desejada, e nunca falsificados por qualquer pretexto.

Realçou que a segunda fase do processo vai beneficiar as províncias do Huambo, Huíla, Namibe, Cuando Cubando, Cunene, entre outras, no formato regional.

Quanto a qualidade dos dados, muito rebatida na abertura do encontro, frisou que isso é susceptível de ocorrer em qualquer parte do mundo, daí a insistência sobre a necessidade de um espírito patriótico em actividades do género, já que a falsificação de dados é um acto condenável e criminal.

Durante 10 dias, agentes de campo provenientes de todos os municípios de Benguela e Cuanza Sul, vão abordar temas como “Questionário de listagem”, “Procedimentos do preenchimento da listagem”, “Questionário comunitário – estratégia de campo”, “Simulação de entrevistas em papel”, “Questões administrativas”, “Comunicação sobre o RAPP nas comunidades”, “Cartografia censitária”,  “Primeiros socorros”, ”Aspectos logísticos”, entre outras temáticas.