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Empresa Jardins da Yoba já beneficia do "Alívio Económico"


13 Agosto de 2020 | 10h28 - Actualizado em 13 Agosto de 2020 | 10h27

Huíla: João Saraiva - director-geral da Jardins da Yoba Foto: Amélia Oliveira

Lubango - A empresa "Jardins da Yoba" já recebeu os 60 milhões de kwanzas do programa de alívio económico, uma iniciativa do Governo angolano que visa acudir micro, pequena e médias empresas com dificuldades resultantes dos condicionalismos causadas pela propagação do novo Coronavírus.


O dinheiro resulta de um financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e vai servir para na compra de milho que será transformado em fuba.

Até agora foram adquiridos, a produtores locais, 150 toneladas de milho para a transformação de farinha e ração, bem como 50 toneladas de feijão, tudo destinado ao mercado.

O financiamento é para ser restituído ao Estado num período de dois anos, com juros bonificados com até nove por cento, informou o director da empresa, João Saraiva, durante uma visita de constatação do gabinete provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado da Huíla,

Trata-se de uma visita no quadro da operacionalização das linhas de crédito destinadas ao alívio económico.

O gestor afirmou que estão a comprar a produção dos agricultores, fazendo chegar dinheiro aos camponeses e utilizar as infra-estruturas existentes com alguma industrialização para absorver a produção destes.

As 150 toneladas de milho foram compradas ao preço de 150 Kz por Kg, mas têm ainda perto de outras 80 em fase de pagamento, sendo que nas dificuldades encontradas no terreno, na tentativa de comprar directamente ao produtor, perceberam que tinham de recorrer a intermediários, pois os campos estão distantes e o acesso aos pontos de colheita é difícil.

Para a comercialização do produto final, o responsável afirmou que pretende ficar com mais de cem toneladas de farinha de milho em stock para a venda, sendo que para a transformação serão reservadas duas toneladas por dia, tudo direccionado ao mercado interno.  

“O milho ainda veio sujo, temos ainda uma quebra de 15% na limpeza. Recebemos o produto com 18% de humidade, temos de secar e para ser transformado tem de chegar aos 12%, que é a escala ideal”, adiantou.

Declarou que o comércio rural é fundamental no rendimento das famílias e para as empresas que pretendem investir. “Para nós, essa operacionalização não é tanto ganho imediato, por não existir investimentos financeiros de grande porte, mas permite o fomento agrícola que é basilar, uma tentativa de repor o funcionamento normal do mercado”, precisou a fonte.

Defendeu a necessidade de existir institutos de fomento que coloquem regras para que o agricultor não esteja sujeito ao chamado “bulling empresarial” e à informalidade.

“Se não existir dentro da cadeia do comércio rural a figura centralizada da instituição que possa comprar a produção, fazer a operação de secagem e melhoria do  grão e depois comercializar aos empresários, não vamos resolver os problemas de qualidade e quantidade do produto”, alertou.

Por sua vez o agricultor Rogério Nunes Girão, que vendeu o milho à empresa destacou que o programa do alívio económico, através da aquisição da produção local veio colmatar as dificuldades que têm no escoamento da produção, sobretudo a um “preço justo”.       

“Este processo veio ajudar no aumento da produção e incentivar os camponeses a produzirem mais. A minha capacidade de produção anual, dependendo das chuvas são de 200 toneladas de milho, toda feita no município da Chibia, com um quadro de pessoal 15 funcionários temporários que asseguram a produção”, disse.

Já o director do gabinete provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado da Huíla Manuel Machado Quilende, explicou que o programa de alívio económico visa desafogar e atenuar o impacto negativo da pandemia da covid-19 na economia real e abrandar dificuldades de algumas empresas neste período.

Frisou que os empresários devem fazer a candidatura no portal www.alivioeconomico.org ou de forma presencial nos serviços afins do gabinete provincial, processo que passa por uma candidatura, seguem a caracterização do processo, constituição do dossier de crédito, negociação com a banca e depois o desembolso do crédito.

Fez saber que a nível da Huíla foram aprovados 15 projectos no âmbito do alívio económico, nas áreas do comércio e distribuição, compra de produção nacional, compra de fertilizantes e insumos, indústria transformadora entre outras, mas esse é o primeiro a ser beneficiado.

"Os mesmos já estão a ser contactados pelo BDA, mas só ainda o Jardins da Yoba recebeu os valores. Parte delas já assinaram os contratos, alguns estão a fazer o contracto de fornecimento com os fornecedores e passado deste passo vem o desembolso", continuou.

É a segunda empresa que o gabinete faz a visita para constatação da operacionalização do financiamento recebido, no âmbito do alívio económico e o Programa Apoio à Produção, Diversificação da Exportações e Substituição da Importações (PRODESI). A primeira foi a Fazenda Mumba que recebeu um financiamento do PRODESI de mais de quatro mil milhões de Kwanzas para aquisição de gado  e sementes.