Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Caimbambo regista aumento na produção de citrinos


11 Setembro de 2020 | 15h08 - Actualizado em 11 Setembro de 2020 | 15h08

Benguela: Produtor de citrinos no município do Caimbambo, Adelino Cayove Foto: Carlos Benedito

Benguela- Trinta e três mil e 330 toneladas de limão, laranja e tangerina, foram produzidas este ano no município do Caimbambo, província de Benguela, contra as 27.638 do ano anterior, informou hoje, sexta-feira, o director local da Agricultura Pecuária e Pescas, o agrónomo Euclides Quessongo.


Segundo o responsável, que falava à Angop, na base desse aumento esteve o aumento das quedas pluviométricas, que ocorreram com maior regularidade, tendo atingido os 923 mm3, contra os 662 mm3, além de uma maior aposta dos produtores..

O município conta com mil e 111 hectares direccionados à produção de citrinos, com uma média de colheita de 30 toneladas por hectare.

O director disse que existem centenas de médios e pequenos produtores de citrinos, tornando assim o Caimbambo no maior produtor desta espécie a nível da província de Benguela.

Por outro lado, Euclides Quessongo adiantou que na segunda época agrícola (Abril e Maio) deste ano, foram colhidas 5.400 toneladas de milho, 7.230 toneladas de massambala e 700 toneladas de hortícolas, nomeadamente tomate, couve, repolho e cebola.

Em função do tipo de solo da circunscrição, de textura franca, rico em matéria orgânica, não se precisa de utilizar muitos agro-químicos para produzir, sobretudo fertilizantes, referiu.

“Os camponeses deste município não usam tanto os produtos químicos, pois, mesmo sem adubo, a produtividade é satisfatória”, referiu.

O município tem beneficiado do fornecimento de sementes de milho e feijão, a partir da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) e de outros imputs, como charruas, enxadas, catanas e machados, em função dos vários programas que beneficiam tanto as cooperativas como as associações de camponeses.

O sector da Agricultura controla 69 associações de camponeses e 38 cooperativas agro-pecuárias, no município.

Na mesma senda, frisou que, com vista o fortalecimento das capacidades produtivas das famílias camponesas, foi implementado um programa de iniciativa local, denominando “Agricultura Familiar Sustentável”, que está assente nas actividades geradoras de emprego e renda agrícola sustentável. Este programa enquadra-se no Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate a Pobreza.

Neste âmbito, a Administração Municipal tem distribuído imputs agrícolas, tais como sementes de repolho, tomate e cebola, pulverizadores dorsal e insecticida, sendo que, este ano, beneficiaram as cooperativas de Etepa, Kassimo–Etaca, Lossala, Havemos de Voltar, Tchavola e Ningui Ningui.

Já as cooperativas de Caluculo, Patos e Tchimbukuyo, além dos imputs já mencionados, beneficiaram-se também de motobombas de quatro polegadas e de mangueiras de irrigação de cem metros, acrescentou.

Falta de financiamento condiciona produção

O produtor de citrinos Adelino Cayove considera que a falta de crédito bancário está a condicionar um aumento exponencial da produção de citrinos no município do Caimbambo.

Com seis hectares de produção de laranja e limão, o agricultor revela que a sua fazenda dista sete quilómetros do rio mais próximo.

“Precisamos de ajuda para abrir um canal de irrigação. Um financiamento bancário mínimo de Usd 400 mil, que actualmente não existe, poderia resolver esse problema, trazendo água do rio Halo até aqui, o que se traduziria num aumento da produção e na melhoria da qualidade dos citrinos”, disse.

Na mesma senda, informou que a média de produção de cada planta, quando bem tratada e regada, é de 300 quilos de laranja. Neste momento, a quinta tem 118 plantas de laranjeiras e 58 de limoeiros, mas a sua meta é estender a produção para os outros seis hectares restantes da quinta.

Outra dificuldade dos produtores prende-se com o preço dos insecticidas para tratamento das plantas.

“O frasco de medicamento para desinfectar as plantas custa mais de 30 mil kwanzas e é muito difícil para os camponeses, sem falar do combustível para as motobombas, tractores e os custos com a mão-de-obra”, enfatizou.

Solicitou também a construção no município de uma fábrica para conserva e transformação dos citrinos, acautelando-se os prejuízos que se observam todos aos anos por dificuldades no escoamento da produção.