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BNA aumenta coeficiente da moeda estrangeira em 17%


29 Setembro de 2020 | 15h37 - Actualizado em 29 Setembro de 2020 | 15h37

Banco Nacional de Angola Foto: Francisco Miúdo

Luanda - O Comité da Política Monetária (CMP) do Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu aumentar o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda estrangeira de 15% para 17%, para permitir adequar o nível de liquidez ao objectivo de inflação de curto e médio prazo.


Reunido segunda-feira, o Comité justifica que ao ajustar o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda estrangeira de 15% para 17%, com cumprimento do diferencial em moeda nacional.

Já o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda nacional mantém em 22%, eliminando a dedução de notas e moedas.

Em sessão ordinária para analisar o comportamento recente dos principais indicadores económicos, bem como os impactos das medidas de política tomadas anteriormente sobre os diferentes sectores da economia, o CPM decidiu manter a taxa básica de Juro, Taxa BNA, em 15,5% e a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 15,5%.

A taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, com maturidade de 7 dias em 7%, de igual modo mantém, bem como a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez, com maturidade overnight em 0% e a taxa de custódia 0,1% sobre o excesso de liquidez dos bancos comerciais.

A janela da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez vai manter-se activa, com maturidade Overnight, em até Kz 100 mil milhõesrenovável trimestralmente, de modo não cumulativo, ao longo do exercício económico de 2020.

O CMP constatou que a conjuntura económica internacional e nacional aconselha prudência relativamente ao optimismo sobre a retoma da actividade económica, tendo em conta as consequências de uma possível segunda vaga da pandemia COVID-19 nas principais economias.

Depois apreciado o impacto da introdução da taxa de custódia no mercado Monetário, o CMP constatou um maior dinamismo no mercado monetário interbancário.

Reconhecem ainda que o nível de liquidez na economia deve continuar a ser monitorado com atenção, a fim de não comprometer o alcance do objectivo de estabilidade de preços na economia.

No mês de Agosto, o Instituto Nacional de Estatística fixou o Índice de Preços no Consumidor com uma variação mensal de 1,8%, sensivelmente a mesma que se observou no mês anterior.

A taxa de inflação acumulada até Agosto do ano corrente é de 15,97% e a inflação homóloga, de 23,41%, contra 22,93% registada no mês de Julho.

No mercado cambial, em Agosto, os bancos comerciais compraram mais divisas aos seus clientes do que ao BNA, fruto da estratégia de retirada gradual do Banco Central, como principal provedor dos recursos em moeda estrangeira no mercado Interbancário.

RIL com baixa USD 758,31 mil milhões

O stock das Reservas Internacionais Brutas situou-se em USD 14,64 mil milhões, em Agosto, contra USD 15,39 mil milhões em Julho, ou seja, uma redução de US$ 758,31milhões.

Apesar da queda das reservas internacionais, CMP garante que a solvabilidade externa do país continua assegurada, pelo facto do nível actual corresponder a uma cobertura de 11 meses de importação de bens e serviços, acima da meta de 6 meses definida como indicar de convergência da SADC.

Já as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) fixaram-se em USD 9,58 mil milhões no final do mês de Agosto, o que representa uma diminuição de USD 674,79 milhões face ao mês de Julho, que foi USD 10,26 mil milhões.

Tendo em conta os recentes desenvolvimentos na notação de risco país e considerando a necessidade de atenuar os impactos negativos da pandemia de COVID-19, visando proteger o sistema financeiro, o CPM decidiu implementar a medida de deferimento na constituição de imparidades para efeito regulatório na posição de crédito de títulos da dívida pública para um prazo máximo de 3 anos.

O diferimento obedecerá à regulamentação específica a ser publicada sob forma de Aviso.

O CPM reitera o seu comprometimento com percurso de estabilidade de preços, mantendo-se a previsão de 25% de inflação para o presente exercício económico e garante continuar a monitorar todos os factores monetários determinantes da inflação.

A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola está agendada para o dia 27 de Novembro deste ano.