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Criadores apostam na redução das importações de carne


29 Setembro de 2020 | 15h56 - Actualizado em 29 Setembro de 2020 | 15h56

Huíla: Luís Gata - secretário-geral da CCGSA Foto: Morais Silva

Lubango - A Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA) está a implementar um projecto de compra de novas matrizes, melhoria das condições de pasto nas fazendas e engorda da manada, com vista a aumentar a oferta de carne com qualidade.


A estratégia deste grémio de criadores é melhorar a qualidade de carne produzida e o país deixar de importar esse produto a partir da próxima década.

Até 2017, o país produziu mais de duas mil e 100 toneladas de carnes diversas, sendo 77,9 toneladas de carne bovina, 41,3 toneladas de carne suína, 93,7 toneladas de carne caprina, 24,8 toneladas de carne de ovinos e 1,9 mil toneladas de carne de frango, segundo dados do ministério de tutela.

Detentora de centenas de milhares de cabeças de gado, a Huíla vai desempenhar um importante papel com os projectos em execução pela CCGSA.

O grémio está a criar infra-estruturas de base nas fazendas, como a disponibilização de água, extensão dos campos de pasto, produção de forragem e melhoria da raça autóctone com cruzamento de outras matrizes importadas.

Embora em curso há mais de dois anos com fundos dos próproios fazendeiros, o projecto pode receber mais 150 milhões de dólares norte-americanos, que serão aplicados gradualmente, a começar com a disponibilização, ainda este ano, dos primeiros 50 milhões da banca comercial nacional, que está em fase final de avaliação do projecto.

O projecto já tem a luz verde do governo, como manifestou em recente visita à Huíla, o ministro do sector, Francisco de Assis e começa com a aquisição de gado reprodutor.

Actualmente os associados da cooperativa controlam perto de 150 mil bovinos e 300 mil caprinos, em 90 fazendas localizadas nas províncias da Huíla, Cunene, Namibe, Benguela, Cuanza Sul, Malanje e Bengo.

O plano de desenvolvimento pecuário contempla o aumento do efectivo de reprodutores, melhoria das raças e das infra-estruturas das fazendas, instalação de um matadouro industrial na estrada entre o Lubango e Chibia, um parque de máquinas e fundo de comercialização.

Em entrevista à Angop, o director-geral da CCGSA, Luís Gata, que falava à margem da Feira de Escoamento da Produção Nacional a "AgriHuíla", que decorreu de 24 a 27 do mês em curso, afirmou que o grémio está a abraçar essencialmente três dos projectos do plano, no sentido de aumentar a produtividade.

O primeiro passo passa pelo aumento da capacidade produtiva das fazendas, com novas matrizes, sobretudo de fêmeas reprodutoras, pois maior parte das fazendas filiadas já tem infra-estruturas, com água, condições de pasto e estão a crescer a uma velocidade que poderiam ser aceleradas, se conseguirem o financiamento.

O segundo tem a ver com a compra de um parque de máquinas, em que a Cooperativa vai munir-se de meios de desmatação e de abertura de picadas para fazer o trabalho nas fazendas, evitando que isoladamente os fazendeiros o façam com custos avultados.

Já o terceiro projecto tem o foco na comercialização da carne, principalmente a bovina, processo já em curso e que pode melhorar se conseguirem instalar um matadouro novo, com espaço e projecto tecnicamente já definido para receber os animais das fazendas e processá-los com a qualidade sanitária e organoléptica necessária.

Sobre a produção actual, declarou haver mas ainda residual, mas está esperançado que o país se torne auto-suficiente e com capacidade para exportar, caso os bancos financiem os projectos.

"O facto de alimentar os nossos animais com pasto natural, de não necessitar tecnologia para desenvolver, como insecticidas, faz com que essa carne seja considerada biológica, faltando apenas um matadouro certificado com vigilância sanitária para conseguirmos fazer a exportação para mercados importantes, como o europeu", considerou.

Realçou que dada a importância do projecto, o Executivo já se mostrou sensibilizado e estão no momento a apresentá-lo à banca, no sentido de equacionarem os financiamentos possíveis para concretizar, um processo que até já decorre.

Criada em 2004, sob iniciativa do então criador Fernando Borges, a CCGSA tem o objectivo de contribuir para o melhoramento das explorações pecuárias, bem como na valorização, expansão e comercialização dos produtos afins.