Terça, 01 de Dezembro de 2020
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Estados africanos precisam mais USD 1,2 biliões até 2023


09 Outubro de 2020 | 20h24 - Actualizado em 09 Outubro de 2020 | 20h23

Luanda - A directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, declarou esta sexta-feira, que apesar dos grandes ajustes internos, os estados africanos, incluindo Angola, ainda enfrentam necessidades de financiamento de 1,2 biliões de dólares até 2023.


Alguns países estão com elevadas dívidas, forçando-os a escolher entre o serviço da dívida e gastos sociais e de saúde adicionais, disse Kristalina Georgieva na abertura do evento virtual de alto nível sobre “Mobilização com a África”.

Nesta reunião, Angola fez-se representar pela ministra das Finanças, Vera Daves, e conta também com a participação de outros ministros das Finanças de África, do presidente do Banco Mundial, David Malpass, do secretário-geral da ONU, António Guterres e do Presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki.

Espera-se que os compromissos actuais de instituições financeiras internacionais e credores bilaterais oficiais atendam pelo menos um quarto dessas necessidades.

Segundo Kristalina Geogieva, com o capital privado ainda subjugado, enfrentam-se uma lacuna projectada de mais de 345 mil milhões de dólares até 2023, e quase metade desse “fardo” está nos países de baixa renda da África.

Promete, enquanto responsável do Fundo, trabalhar com autoridades nacionais, instituições regionais e parceiros bilaterais e multilaterais.

“A pandemia não respeita as fronteiras nacionais, estamos todos escalando uma montanha no meio de uma tempestade juntos, conectados por uma corda. E somos tão fortes quanto os escaladores mais fracos”, referiu.

“ Nós FMI, reconhecemos como é importante e urgente aumentar nosso apoio à África para que o continente possa acelerar a longa ascensão para a recuperação”, admitiu.

Por isso, o fundo está a trabalhar com os membros para aumentar ainda mais a capacidade de empréstimos concessionais, pois já foi feito um progresso impressionante na reposição do Fundo de Redução e Crescimento da Pobreza e continua a trabalhar com membros que podem pagar, para que o FMI possa emprestar temporariamente alguns de seus DES (Direitos Especiais de Saque), para aumentar os empréstimos concessionais aos países mais necessidades.

Para aumentar a capacidade de liquidez, novos compromissos de doações foram solicitados, com vista a possibilitar o aumento do financiamento concessional a países de baixa renda.

O fundo comprometeu-se em trabalhar com países que enfrentam dívidas insustentáveis, apoiando a extensão da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida do G20.

Além da Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI sigla em inglês), o FMI reconhece a necessidade de fortalecer ainda mais a arquitectura internacional para a reestruturação da dívida e a busca da reestruturação caso a caso, quando necessário.

Outro aspecto elencado por Kristalina Georgieva faz referência a priorização de apoio aos formuladores de políticas da África por meio dos seus programas financeiros, vigilância e programas de desenvolvimento de capacidades.

“Estaremos ao lado de nossos membros enquanto eles buscam suas estratégias para fortalecer a gestão das finanças públicas, garantir estabilidade e inclusão financeiras, impulsionar o comércio, eliminar barreiras aos investimentos privados, aumentar o crescimento e gerar empregos para suas populações jovens”, reiterou a directora do FMI.

Referiu que desde a primeira reunião da “Mobilização com a África”, na primavera, as autoridades africanas agiram rapidamente, apesar de muitas vezes o fazerem com restrições financeiras muito apertadas.

Em média, os Governos gastaram 2,5% do PIB em programas sociais e de saúde para atender às necessidades de suas populações.

As instituições financeiras internacionais forneceram assistência financeira significativa em apoio rápido e isso inclui cerca de 26 mil milhões de dólares do FMI, verbas que ajudaram a combater a doença e amortecer os choques económicos sobre pessoas e empresas.

Nas últimas semanas, o Conselho Executivo do FMI aprovou uma extensão de seis meses dos limites de acesso mais altos sob Facilidade de Crédito Rápido e Instrumento de Financiamento Rápido, bem como uma extensão de seis meses do alívio da dívida para os membros mais pobres sob a Contenção e Alívio de Catástrofes.

Países como Burkina Faso, Gâmbia e República Centro-Africana implementaram admiráveis ​​mecanismos de governança para garantir que os fundos beneficiem o povo como pretendido.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, interveio neste encontro com vídeo gravado em que deseja prosperidade para África.