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FAO com desempenho positivo em Angola


13 Outubro de 2020 | 18h55 - Actualizado em 13 Outubro de 2020 | 18h55

Luanda - A Primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, manifestou, nesta terça-feira, o seu profundo reconhecimento pelo louvável trabalho realizado, ao longos dos anos, pelo Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em domínios relevantes da economia nacional.


Fundada em 1945, a FAO, com sede em Roma (Itália), comemora a 16 deste mês, o seu 75º (septuagésimo quinto) aniversário e a data coincide com o Dia Mundial da Alimentação, que decorrerá sobre o lema “Cultivar, Alimentar, Preservar, Juntos Agir para o Futuro”.

“Felicito a FAO e todos os seus membros, a direcção e o seu staff pelo seu 75º aniversário e expressar o meu profundo reconhecimento pelo louvável trabalho realizado ao longo dos anos em domínios relevantes para o nosso quotidiano, como são alimentação e agricultura, que permitem gerar energia necessária para a manutenção da vida humana no nosso planeta”, reconheceu Ana Dias Lourenço.

O contributo da FAO, de acordo com Ana Dias Lourenço, que foi anfitriã do webinar sobre o contributo da “Mulher Rural nos Sistemas Agro-alimentar e na Economia”, estende-se ainda na melhoria das condições da população rural e na libertação da humanidade do flagelo da fome.

Em Angola, a FAO apoia programas de nutrição e segurança alimentar, produção de alimentos, através das Escolas de Campo (ECAS), uma iniciativa que vem sendo desenvolvida há mais de 15 anos.

Erradicação da Fome

A representante da FAO, Gherda Barreto, disse no evento que, nos últimos anos, Angola tem dado passos importantes nos seus compromissos para a erradicação da fome.

Entre dois biénios 2004/2006 e 2017/2019, a prevalência da subalimentação no país passou de 52,2 % para 19%, o que em termos populacionais corresponde a mais de cinco milhões de pessoas subalimentadas por dia.

Isto significa, segundo a oficial da FAO, que para atingir a agenda 2030, Angola tem de passar os 5.5 milhões de pessoas em subalimentação a nível zero, ou seja, deve alcançar o chamado desafio “Fome Zero”.

Acrescentou que cerca 40.6% da população vive abaixo da linha da pobreza, afectando ainda as populações rurais, daí ter defendido a necessidade da melhoria da situação de má nutrição com quase 48% de mulheres em idade fértil, que sofrem de anemia.

Por outro lado, apontou as alterações climáticas como uma das causa da fome, tendo afectado Angola, tal como aconteceu em 2019, com a seca que atingiu mais de 400 mil pessoas de 24 municípios do Sul do país, que colocou a população, em especial as mulheres, em vulnerabilidade de segurança alimentar.

“Todos estes desafios são preocupantes, mas a preocupação deve levar-nos à acção. Temos de transformar estes desafios em planos de acção para a inclusão laboral, tecnológica e financeira das mulheres rurais, que incluem estratégias de apoio às suas famílias", referiu.

Em Angola, segundo Gherda Barreto, 51,8% da população são mulheres e 38,8% tem a agricultura como a actividade principal.

Os dados estatísticos da agricultura referem que a situação da mulher rural em Angola tende a melhorar.

“É de reconhecer a firme vontade do país de implementar o primeiro recenseamento agro-pecuário e pescas na história de Angola independente”, reconheceu.

Esta iniciativa, acrescentou, vai permitir a nova geração de estatística da estrutura produtiva do país, com perspectiva do género para a transformação e aceleração de investimento e actualização das políticas do género nos domínios da agricultura e pescas.

Seis iniciativas em prol da mulher rural estão a ser implementadas pelo Executivo angolano em parceria com a FAO, entre elas, as escolas de campo.

Presente em mais de 130 países, a FAO funciona como um fórum neutro, onde todas as nações que a compõem possuem peso igualitário no tocante às estratégias e decisões, pois proporciona a todos os seus integrantes oportunidades para elaborarem e discutirem politicas ligadas à agricultura e alimentação.

Este organismo do sistema das Nações Unidas em Angola tem como áreas prioritárias o apoio a erradicação da fome, a insegurança alimentar e a má nutrição, tornar a agricultura, a silvicultura e a pesca mais produtivas e sustentáveis, a redução da pobreza no meio rural, entre outras acções.

Participaram do painel, o economista chefe da FAO, Maximo Torero, a comissária da União Africana para Economia Rural e Agricultura, Josefa Sacko, e as secretárias de Estado das Pescas e da Família e Promoção da Mulher, Esperança da Costa e Elsa Barber, respectivamente, além de Ana Dias Lourenço, que encerrou o evento.