Quinta, 26 de Novembro de 2020
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CNEF promove inquéritos de inclusão financeira


30 Outubro de 2020 | 21h37 - Actualizado em 30 Outubro de 2020 | 21h37

Luanda - O Conselho Nacional de Estabilidade Financeira (CNEF) promoveu, em um ano, um inquérito sobre o panorama de inclusão e exclusão financeiras nos mercados informais de Luanda.


Segundo uma nota a que a Angop teve acesso, nesta sexta-feira, foram realizados 2940 inquéritos entre Agosto de 2019 (inquérito piloto) e Março de 2020 (exercício final).

Conforme o documento, a mensuração do grau de inclusão financeira agregou a titularização de conta bancária, metodologia de pagamentos, poupança, crédito, seguro e acesso à internet.

Entre outros dados, os inquéritos permitiram aferir a quota de mercado dos bancos por mercado, os aplicativos bancários utilizados por mercado, a bancarização por género, grupo etário e grau de escolaridade, o planeamento financeiro para a velhice, o crédito (obtenção, fonte, finalidade e crédito almejado) e a titularização de seguro dos comerciantes.

A inclusão financeira é globalmente reconhecida como um factor potenciador do desenvolvimento económico dos países.

Por outro lado, a participação da população no sistema financeiro promove a erradicação da pobreza, a redução das assimetrias sociais e contribui para um sistema financeiro mais resiliente e estável.

Nessa perspectiva, é prioritária a elaboração de uma estratégia nacional de inclusão financeira, baseada nas particularidades da conjuntura nacional.

O primeiro passo é, no entanto, conhecer o panorama de inclusão e exclusão financeiras do país, privilegiando o lado da demanda, ou seja, dos consumidores e não consumidores, de produtos financeiros regulamentados.

A iniciativa contou com o suporte do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor, da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros, do Banco Nacional de Angola e da Comissão do Mercado de Capitais.

A instituição avança que os dados obtidos nestes inquéritos ajudarão as autoridades estatais (particularmente as ligadas à supervisão do sistema financeiro, tributação, educação, identificação civil, defesa do consumidor e ainda às tecnologias) na definição e afinação de políticas e estratégias públicas, mas, também, as instituições financeiras no desenvolvimento de produtos mais adequados para uma franja da população insuficientemente servida e que pode, no entanto, contribuir significativamente para o aumento do seu negócio.

“Os inquéritos nos revelaram que, na sua esmagadora maioria, os comerciantes informais entendem os benefícios da inclusão e por isso querem ser formalizados. Cabe-nos, agora, promover e facilitar a materialização desse desejo, partindo de uma realidade objectiva ,reflectida nos dados dos inquéritos realizados. Ao acontecer, não tenhamos qualquer dúvida, sairemos todos a ganhar.” afirma Luzolo de Carvalho, Secretário Executivo do CNEF.

De acordo com os dados obtidos, 77% dos inquiridos têm bilhete de identidade e desta proporção, 92,1% têm o bilhete válido. Em alternativa a este documento, para efeitos de identificação os inquiridos recorrem à cédula de nascimento (42,1%) e ao cartão de eleitor (40,4%). 5% dos comerciantes não têm documentos de identificação.

Bancarização

Indica que a taxa de bancarização é de 36,7%, com os mercados com a taxa de bancarização mais elevada são o Kikolo 2 e os Congolenses, com 62,4% e 57,5% respectivamente.

Indica que os mercados onde mais comerciantes estão excluídos do sistema bancário são o Mercado do 30, com uma taxa de bancarização de 24,1%, e o Mercado 1.º de Agosto (Catinton), com 22,7% de bancarizados.

Adianta que 69% dos comerciantes não bancarizados gostariam de ser titulares de uma conta bancária, apresentando como principais motivos para a titularização de conta bancária a  segurança (37,2%), poupança (29,4%) e depósitos (11%).

Seguro

Os indicadores indicam que apenas 6% dos comerciantes têm seguro, destes 45,5% subscreveram o seguro de saúde e 33,6% o seguro automóvel, enquanto 53% dos comerciantes não segurados gostariam de ter um seguro.

Poupança

Dos inqueridos, 56,7% dos comerciantes fazem poupança, mas apenas 25,9% poupam para a reforma.

Acesso à Internet

Apenas 35% dos inquiridos têm acesso à internet e o telemóvel (84%) é a principal ferramenta de acesso, 5% dos comerciantes efectuam transacções online, sendo que 31% fazem transferências, 18% compram produtos e 13% realizam pagamentos.