Terça, 24 de Novembro de 2020
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Passivo do sector bancário atinge Kz 14,12 mil milhões em 2019


30 Outubro de 2020 | 07h54 - Actualizado em 30 Outubro de 2020 | 15h10

bancos com passivo elevado em 2019 Foto: Angop

Luanda - O passivo do sector bancário, em 2019, rondou os 14,12 mil milhões, um aumento de 3,04 mil milhões de kwanzas (27 por cento) face a 2018.


De acordo com os dados publicados no inquérito sobre Capacidade e Inclusão Financeira promovido pelo Banco Mundial em parceria com o Banco Nacional e Angola (BNA), os números são influenciados,  principalmente, pelos depósitos a ordem dos Kz 2,35 mil milhões (25 por cento).

Os recursos de clientes e outros créditos continuam a ser a principal fonte de financiamento das instituições financeiras bancárias, com um peso de 83 por cento no total do passivo, que  corresponde a Kz 11,77 mil milhões, dos quais 53% representam depósitos a prazo.

Estes depósitos à prazo, de acordo com o documento, aumentaram  em Kz 1,64 mil milhões (35 por cento), superior ao aumento de Kz 735,14 mil milhões (16 por cento) dos depósitos à ordem.  

Sobre a actividade económica, o sector bancário registou níveis mais elevados de depósitos nas áreas de particulares  (30%), actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados a empresas (21,28% ), comércio grossista e de retalho (12% ) e outros serviços colectivos, sociais e pessoais (10%).

Até ao final de 2019, o crédito bruto emitido pelo sector bancário ascendeu  a Kz 4,76 mil milhões, um acréscimo de 18 por cento face aos Kz 4,16 mil milhões registados no ano anterior, resultante, essencialmente, do impacto da desvalorização da moeda nacional. 

No que se refere ao crédito emitido pelo sector institucional, o sector empresarial privado não financeiro recebeu 75%  do total da carteira, seguido do sector das pessoas físicas com 15%. 

Segundo o resultado do inquérito, no  sector do comércio grossista e retalhista, os bancos angolanos emitiram crédito, principalmente, a empresas que se dedicavam a trabalhos de reparação (23% ), negócios individuais (15% ) e imobiliário (14 %).

Os activos do sistema bancário, no final de 2019,  foram avaliados em Kz 15,76 bilhões, um aumento de Kz 2,86 bilhões (22 %) do  período homólogo  (2018), influenciado, fundamentalmente, pelo aumento de 58 por cento de investimentos em bancos e outras instituições de crédito.

 Os activos denominados em moedas estrangeiras tiveram maior representatividade com a participação de 51 por cento e um maior aumento de Kz 1,78 bilhões (28,14 %) em comparação com Kz 1,08 bilhões (16 %) de activos em moeda local, fruto da  forte depreciação da moeda nacional em relação à moeda estrangeira que ocorreu ao longo de 2019.

Empréstimos inadimplentes 

O documento apresenta ainda os níveis de empréstimos inadimplentes que pioraram, significativamente, registando um aumento de 43 por cento para um total de Kz 1,60 mil milhões. 

Desde meados de 2014, altura em que começaram os desequilíbrios estruturais na economia angolana, até 2019, o crédito malparado triplicou com um aumento de 336 por cento. 

Considerando o volume de empréstimos inadimplentes em Dezembro de 2019, o índice de crédito malparado acresceu de 27 % para 32%.

Como resultado, o apetite pelo risco de crédito manteve-se limitado e, face a este cenário, o rácio de transformação manteve a tendência de redução, tendo diminuído de 44 % para 42 %.

O Sistema de Pagamentos de Angola (SPA) é regulado pelo Banco Nacional de Angola, com vista a cumprir o interesse público com segurança, fiabilidade operacional, eficiência e transparência.

Os bancos comerciais dominam o sector financeiro em Angola, com 26 instituições autorizadas pelo regulador.

Operam no país outras 113 instituições financeiras não bancárias,  sendo 66 casas de câmbio, 27 sociedades de microcrédito, 15 sociedades de remessas, duas cooperativas de crédito, uma sociedade de leasing financeiro e duas prestadoras de serviços de pagamento mobile banking.

A concentração de agências e balcões bancários é elevada nas províncias de Luanda, Benguela e Huíla em comparação com o resto do país.