Quinta, 25 de Fevereiro de 2021
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Abandono escolar abrange mais de 49 mil alunos no Huambo


09 Dezembro de 2019 | 12h38 - Actualizado em 10 Dezembro de 2019 | 12h31

Director do Gabinete Provincial da Educação, Celestino Piedade Chikela

Foto: Aurélio Janeiro Sacalei Soi



Huambo - Quarenta e nove mil e 96 alunos do ensino primário ao II ciclo, num total de 915 mil e 817 matriculados no presente ano lectivo, na província do Huambo, abandonaram as escolas, uns para praticar a agro-pecuária e outros por mudança de residência ou gravidez precoce.


A informação foi avançada hoje, segunda-feira, à ANGOP, pelo director da Educação na província do Huambo, Celestino Chikela. Segundo o responsável, dentre os alunos que deixaram de estudar, constam 35.120 do ensino primário, 9.200 do I ciclo e 4.768 do II ciclo do ensino secundário.

O responsável referiu que, em relação ao ano lectivo anterior, foi registado um aumento de, aproximadamente, cinco por cento, numa altura em que estão em falta os dados do município da Chicala-Cholohanga.

Celestino Chikela disse que o município do Huambo, com 19 mil e 356 casos, é o que mais abandono escolar regista, enquanto o da Ecunha, com 46 alunos do ensino primário, é o último da lista, não levando em conta a contabilização dos dados da Chicala-Cholohanga.

Acrescentou que estão na base destes factores como as transferências de estudantes para o período nocturno, depois da gravidez, de modo a não influenciarem outras, o que leva a muitas desistências, devido a “bullying”, com frequência no meio urbano, exploração infantil, pouca cobertura da merenda escolar e fraca assiduidade de alguns professores.

Isso, referiu Celestino Chikela, tem também como base a degradação das famílias, a pouca valorização da escola e deficiente acompanhamento da vida académica dos alunos por parte dos encarregados de educação, dificuldades de acesso e acessibilidade às escolas (grandes distâncias entre a escola e o local de residência, visto que a criança não devia andar mais de três quilómetros em busca do conhecimento).

O director do Gabinete da Educação apontou, igualmente, as más companhias e o casamento precoce para as meninas, enquanto para os rapazes a situação tem a ver com a circuncisão, com frequência no meio rural.

Para contrapor a situação, deu a conhecer que, no próximo ano lectivo, será desenvolvido um trabalho, em parceria com as administrações municipais, na construção de residências para reter os professores nas áreas de colocação, com criação das mínimas condições, bem como maior expansão da merenda escolar às zonas rurais, além de dialogar com os encarregados de educação, alertando-os de que o lugar da criança é na escola e não na lavra.

Contudo, realçou que a erradicação do fenómeno abandono escolar requer um abnegado comprometimento dos encarregados de educação e mais patriotismo dos professores e respectivas direcções das escolas, que, por sua vez, devem dialogar mais com os alunos e as famílias.

No presente ano lectivo, o Gabinete da Educação na província do Huambo matriculou 915 mil e 817 alunos, distribuídos em 598.149 no ensino primário, 127.416 no I ciclo, 42.565 no II ciclo do ensino secundário, 11.260 para formação específica de professores, 6.575 no II ciclo técnico-profissional e 17.700 nos cursos de alfabetização, além de outros 6.064 no ensino privado.

As aulas foram ministradas em mil e 164 escolas do ensino primário, 92 do I ciclo, 18 do II ciclo do ensino secundário, sete de formação de professores, cinco do ensino técnico-profissional, 32 comparticipadas e em 45 colégios privadas (colégios), perfazendo um universo de mil e 322 instituições, asseguradas por 19.292 professores.

De grosso modo, 192 mil e 723 alunos ficaram sem estudar, por falta de infra-estruturas escolares e, também, de professores, numa altura em que a província do Huambo necessita, até 2022, de pelo menos mil e 766 professores, para dar cobro a esta situação.