Sexta, 26 de Fevereiro de 2021
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Monarquias do Golfo acusam Irão de tentar politizar peregrinação a Meca


07 Setembro de 2016 | 12h20 - Actualizado em 07 Setembro de 2016 | 12h20

Riad - As monarquias sunitas do Golfo acusaram nesta quarta-feira o Irão de buscar "politizar" a peregrinação anual a Meca, depois das críticas de Teerão contra Riad.


      
              
As declarações "inapropriadas e ofensivas" do aiatolá iraniano, Ali Khamenei, são "uma clara incitação e uma tentativa desesperada de politizar o rito", denunciou em um comunicado Abdelatif Zayani, secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), organização que reúne Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e o sultanato de Omã.
               
Há vários dias, Teerão (xiita) e Riad (sunita) se trocam farpas, às vésperas do início da peregrinação anual a Meca.
               
Os iranianos não poderão participar este ano, pela primeira vez em décadas, da peregrinação até a principal cidade sagrada do islão.
               
Na segunda-feira, o aiatolá Khamenei questionou a gestão dos locais sagrados do islão pela Arábia Saudita. Em resposta, o grande mufti saudita, o xeque Abdel Aziz al-Sheikh, afirmou que os iranianos "não são muçulmanos".
               
O chefe da diplomacia iraniana, Mohamad Javad Zarif, respondeu então que não há "efetivamente nenhuma semelhança entre o islão dos iranianos (...) e o do extremismo fanático que pregam (os sauditas)".
               
Nesta quarta-feira, Zarif acusou as autoridades sauditas de "fanatismo".
               
"Os países do CCG rejeitam as declarações sucessivas dos altos dirigentes iranianos contra o reino saudita que contêm acusações e alegações totalmente incompatíveis com os valores e preceitos do islão", disse Zayani.
               
Irão e Arábia Saudita travam uma batalha de influência na região há vários anos.
               
A relação piorou depois do tumulto do ano passado na peregrinação a Meca no qual morreram 2.300 pessoas, incluindo 464 iraniano, de acordo com balanços de vários governos.
               
Teerão acusou as autoridades sauditas de "incompetência" na organização da peregrinação.