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ONU alerta para colapso do sistema de saúde da Venezuela


07 Novembro de 2019 | 10h58 - Actualizado em 07 Novembro de 2019 | 10h58

Bandeira da ONU Foto: Divulgação

Caracas - O sistema de saúde da Venezuela está prestes a entrar em colapso, alertou o secretário-geral adjunto de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Mark Lowcock, nesta quarta-feira, após uma visita ao país.


"Eu observei que o sistema de saúde está à beira do colapso e que muitos hospitais carecem da infra-estrutura básica de água e electricidade", disse Lowcock em comunicado, depois de reunir-se com funcionários do governo do presidente Nicolás Maduro e do Parlamento de maioria opositora.

Ao descrever a sua visita a um hospital em Caracas, disse que os pacientes hospitalizados, "muitos dos quais já estão gravemente doentes, correm alto risco de perder a vida por causa das novas infecções que estão a adquirir enquanto estão no hospital, uma vez que não é possível realizar limpeza e desinfecção básicas".

Em sua primeira visita ao país, Lowcock encontrou-se terça-feira com o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, e com o chefe do parlamento, Juan Guaidó, reconhecido como presidente encarregado por cerca de cinquenta países que consideram Maduro "ilegítimo".

"Somente uma solução política pode parar o sofrimento na Venezuela", afirmou.

A Venezuela vive o maior desastre de sua história recente. O PIB caiu pela metade desde que Maduro assumiu o cargo, em 2013, e a hiperinflação - de acordo com o FMI - deve fechar 2019 em 200.000%, o que torna os medicamentos escassos ou impagáveis, especialmente para pacientes crónicos.

O comissário enfatizou que "as partes interessadas deverão dar maior prioridade à redução do sofrimento imediato da população".

Segundo Lowcock, os programas de ajuda apoiados pelas Nações Unidas "estão fazendo a diferença", observando que no último ano foram vacinadas 8,5 milhões de crianças e 975 mil pessoas, apoiadas com medicamentos em 109 centros de saúde.

No entanto, Maduro, que atribui a crise às sanções dos EUA para forçar sua saída do poder, disse em 3 de Outubro que a "cooperação" da ONU não havia sido concretizada.

"Eles ofereceram vilas e castelos em suposta ajuda humanitária e nenhum copo de água veio das Nações Unidas", disse o líder socialista.

Em Abril passado, o Comité Internacional da Cruz Vermelha iniciou a entrega de ajuda humanitária à Venezuela.