Quarta, 20 de Janeiro de 2021
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Detenções de cidadãos da Jordânia em Israel aumentam tensão política


31 Outubro de 2019 | 09h24 - Actualizado em 31 Outubro de 2019 | 09h24

Telaviv - A Jordânia e Israel enfrentam uma escalada de tensão política, depois de o Governo de Amã ter chamado para consultas o seu embaixador em Telaviv, Ghassan Majali, para protestar contra a detenção "ilegal e desumana" de dois cidadãos jordanos, noticiou hoje a Lusa.


Os dois cidadãos foram detidos em Israel, no dia 20 de Agosto, um, e no dia 2 de Setembro, outro, quando atravessavam a fronteira entre os dois países para visitar familiares na Cisjordânia, tendo ficado detidos com base em leis que permitem às autoridades israelitas reter suspeitos durante vários meses, mesmo sem acusação.

A Jordânia suspeita que as detenções estejam a ser usadas como forma de pressão política por parte de Israel, no momento em que os dois países vivem momentos de tensão sobre o acesso a territórios fronteiriços.

"Os laços entre Jordânia e Israel parecem estar a caminho de uma crise política", disse o presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento da Jordânia, Nidal al Taani, acrescentando que os cidadãos detidos em Israel entraram no país de forma "normal e legal", exigindo, por isso, a sua libertação.

O chefe da diplomacia jordana, Ayman Safadi, disse que a convocação do embaixador para consulta era apenas um "primeiro passo", explicando que outros meios poderiam ser utilizados se Israel não libertar os dois cidadãos, Heba Labadi e Abdul Rahman Marei.

O ministro dos Negócios Estrangeiros assumiu a responsabilidade pela condição dos detidos em Israel e garantiu que seu Governo tomará todas as "medidas legais, diplomáticas e políticas para garantir que eles voltam para casa em segurança".

"A Jordânia rejeita a permanência da detenção ilegal dos dois cidadãos, com a deterioração da sua saúde, e pede para que eles sejam libertados imediatamente", afirmou Safadi.

As autoridades jordanas confirmaram que estão a interrogar um israelita que atravessou a fronteira esta semana, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, num comunicado hoje divulgado.

Esta sucessão de acontecimentos está a deteriorar as relações entre as duas nações vizinhas, que completam este ano 25 anos de paz.

Um acordo assinado em 1994 concedeu por 25 anos a exploração de dois territórios fronteiriços sob soberania jordana (Baqoura/Naharayim e Al Ghamr/Zofar) a agricultores israelitas que, após esse período, seria renovada automaticamente "a menos que previamente denunciado".

O rei da Jordânia, Abdullah II, anunciou, com um ano de antecedência, que não prolongaria a licença, deixando os agricultores israelitas sem acesso aos territórios, a partir de 10 de Novembro.

"Israel está a adiar a resposta à decisão jordana de restaurar a soberania de Baqoura e de Al Ghamr e acredito que todo o processo de paz deve ser seriamente revisto", disse Al Taani, que não descartou a tese de que Israel esteja a usar a detenção de os dois jordanos como uma forma de pressão política.