Quinta, 21 de Janeiro de 2021
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EUA cogita realizar primeiro teste nuclear em quase 30 anos, segundo jornal


23 Maio de 2020 | 23h04 - Actualizado em 23 Maio de 2020 | 23h04

Bandeira dos Estados Unidos da América

Foto: Divulgação



Washington - O Governo de Trump tem discutido sobre a possibilidade de realizar o primeiro teste nuclear desde 1992, como forma de advertência à Rússia e China, informou o jornal Washington Post, o que poderia representar uma ruptura da política de defesa seguida até então pelo país.


Segundo a publicação americana, que cita um alto funcionário do Governo e dois ex-funcionários, todos em anonimato, a discussão dessa possibilidade ocorreu durante uma reunião realizada a 15 de Maio.

Isso ocorreu depois que autoridades americanas alegaram que a Rússia e a China estão a realizar testes nucleares. Moscovo e Pequim negaram, e Washington não forneceu evidências das suas alegações.

Para o principal funcionário do Governo citado pelo Washington Post, demonstrar que os Estados Unidos são capazes de realizar um teste "rapidamente" seria uma táctica de negociação útil no momento em que Washington tenta concluir um acordo tripartido com a Rússia e a China sobre armas nucleares.

A reunião terminou sem uma decisão e as fontes divergem sobre o futuro das discussões.

Para Beatrice Fihn, da Campanha Internacional para a Abolição Armas Nucleares (ICAN), o grupo que ganhou o Prémio Nobel da Paz de 2017, um teste nuclear realizado pelos EUA poderia "levar-nos a uma nova Guerra Fria".

"Isso também acabaria com qualquer possibilidade de evitar uma nova corrida armamentista nuclear. Acabaria com a estrutura global para o controlo de armas", afirmou em comunicado.

O Governo de Trump tomou decisões que abalaram a política de defesa americana em inúmeras ocasiões.

Esta informação do Washington Post foi publicada após o presidente americano anunciar a sua intenção de retirar os EUA do Tratado de Céus Abertos, depois de acusar a Rússia de violá-lo.

O tratado, que entrou em vigor em 2002, autoriza os países signatários a realizar voos de observação sobre os territórios de outros estados para verificar movimentos militares.

É o terceiro acordo internacional de defesa que o presidente Trump decide retirar os Estados Unidos. Antes houve a saída do pacto com o programa nuclear iraniano, denunciado em 2018, e o tratado INF sobre mísseis terrestres de médio alcance, o qual deixou em 2019.