Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Cinco países europeus pedem a Israel que pare construções na Cisjordânia


16 Outubro de 2020 | 14h32 - Actualizado em 16 Outubro de 2020 | 12h04

Mapa da Europa Foto: Divulgação

Bruxelas - Alemanha, Itália, Reino Unido, França e Espanha alertaram hoje, numa declaração comum, que a construção de novas habitações nos colonatos na Cisjordânia é contraproducente e compromete a eventual retomada de um diálogo entre Israel e os palestinianos.


"A expansão das colónias viola o direito internacional e põe ainda mais em perigo a viabilidade de uma solução de dois Estados para alcançar uma paz justa e duradoura no conflito israelo-palestiniano", lamentam os ministros dos Negócios Estrangeiros dos cinco países.

Israel aprovou entre quarta e quinta-feira a construção de quase cinco mil casas em colonatos na Cisjordânia ocupada, segundo a organização israelita anti-colonização Paz Agora.

"Estamos profundamente preocupados com a decisão das autoridades israelitas de continuar a construção de mais de 4.900 unidades de alojamento nas colónias da Cisjordânia ocupada", escrevem os diplomatas europeus na sua declaração comum.

"No contexto dos desenvolvimentos positivos dos acordos de normalização entre Israel, os Emirados Árabes Unidos e o Barhein, trata-se de uma medida contraproducente", dizem os cinco chefes da diplomacia.

Estas novas construções, dizem os ministros, "comprometem igualmente os esforços que visam aplicar medidas de confiança entre as partes com vista à retomada do diálogo".

"Pedimos por isso a suspensão imediata da construção de colónias, dos despejos forçados e da demolição de estruturas palestinianas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia", acrescentam.

"Apelamos às partes para que não tomem medidas unilaterais, mas retomem um diálogo sério e negociações directas sobre todas as questões relativas ao estatuto final", concluem os ministros.

Já na quinta-feira o alto representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, tinha avisado que a aprovação israelita de novas habitações nos colonatos na Cisjordânia "ameaça" uma eventual "reanimação das negociações" entre palestinianos e israelitas.

"A colonização ameaça os esforços actuais para reconstruir a confiança, reanimar a cooperação civil e de segurança entre palestinianos e israelitas e preparar o terreno para uma eventual retomar das negociações directas e significativas", advertiu Borrell, em comunicado.

Israel já aprovou em 2020 mais de 12 mil novas habitações nos colonatos na Cisjordânia ocupada, um número recorde, segundo a organização israelita contra a colonização Paz Agora, que não exclui que o número possa aumentar até ao final do ano.

Mais de 450 mil israelitas vivem na Cisjordânia, território ocupado pelo exército israelita desde 1967, ao lado de cerca de 2,8 milhões de palestinianos.

As autorizações de construção dos últimos dias põem fim a oito meses de suspensão efectiva das construções e surgem um mês após a assinatura em Washington dos acordos de normalização de relações de Israel com os Emirados Árabes Unidos e com o Barhein.