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Bloco Amarelo e Unidos do Lobito com "inovações" no Carnaval


25 Fevereiro de 2020 | 22h44 - Actualizado em 25 Fevereiro de 2020 | 22h44

Carnaval 2020: Desfile do grupo União Jovens da Cacimba (foto/ilustração) Foto: Pedro Parente

Lobito - Em disputa renhida com o Bravos da Vitória, detentor de 27 troféus, os grupos Bloco Amarelo e Unidos do Lobito apresentaram hoje inovações nas suas coreografias, para tentar vencer o desfile do Carnaval de Benguela e travar a hegemonia do "adversário" da Catumbela.


A representar o município de Benguela, capital da província com a mesma designação, o Bloco Amarelo utilizou figuras de Tchingandji (pessoa mascarada) como tema, com o qual chamou a atenção para a necessidade do resgate e valorização da sua dança.

Com 400 figurantes, sob o comando da bailarina Deolinda Trindade, do grupo Bismas das Acácias, o grupo carnavalesco, que procura o terceiro título provincial, cantou “Havemos de voltar à nossa cultura, ao nosso Tchingandji…” ao som da varina e kabetula, entre passos das danças tradicionais ludungue e sindeta.

O histórico Unidos do Lobito também entrou na luta pelo título da 42ª edição do Carnaval com o enredo “Angola Unida e em Liberdade, rumo às Autarquias”. Na coreografia, manteve-se fiel à kabetula e ao semba, inspirando-se nos passos do grupo Beira Mar, já extinto, e do União Mundo da Ilha, de Luanda.

O Unidos, um dos dois sobreviventes do Carnaval no Lobito, a par do Luz e Água, arrastou para a pista de terra batida da Marginal da Catumbela 350 figurantes, que usaram do mesmo semba do União Mundo da Ilha de Luanda para falar de autarquias nos municípios do país.

Campeão do desfile de 2019, o Bravos da Vitória, o único grupo da província de Benguela a desfilar na Nova Marginal de Luanda, em 2018, mostrou que quer voltar a vencer com o enredo “Preservar o meio ambiente na folia do Carnaval”, exibindo um carro alegórico com esculturas de jacarés e flamingos cor-de-rosa do Lobito, em vias de extinção.

Na canção, criada pelo músico e compositor angolano Joaquim Lopes da Silva, ou simplesmente Fly, autor da canção “Catumbela meu Berço”, o grupo carnavalesco afirma que “o jacaré apareceu na praia da Restinga e os flamingos tendem sempre a emigrar por causa da degradação do meio”.

Como sempre, o Bravos não deixou de ser fiel à sua criatividade e tradição. Ao ritmo da batucada, o novo comandante Germano Castriote dava instruções aos 400 figurantes, distribuídos por quatro alas, que apesar dos intensos movimentos da kazukuta, ainda retratavam a actividade de recolha do lixo.

Com o refrão “O comboio em breve vai apitar para transportar o sal”, ao ritmo das danças rebita e semba, o grupo carnavalesco 4 de Fevereiro, da Baía Farta, composto por 300 integrantes com trajes folclóricos, apresentou a diversificação da economia para o crescimento do país como tema, tendo como pano de fundo a pesca, produção de sal e agricultura familiar.

A mulher angolana para as autarquias foi a história contada pelo grémio Deolinda Rodrigues, do Bocoio, que dançou kazututa na sua estreia no desfile competitivo do Carnaval, ao contrário do Luz e Águas do Lobito que esteve focado na kacileta e kamuzela, estilos musicais tradicionais.

União Chora Mundo, Nzinga Mbande, 14 de Abril, Canjila – Ecoia, Simione Mucune e Irene Cohen, dos municípios do Balombo, Ganda, Chongoroi, Caimbambo, Catumbela e Cubal, respectivamente, foram outros grupos que completaram o desfile da classe de adultos, com alegorias sobre a cultura nacional, embora distantes da disputa pelos primeiros lugares.

Um milhão e 500 mil kwanzas é o prémio reservado ao grupo vencedor da classe de adultos, cujo nome será conhecido na quarta-feira, como ditam os regulamentos.