Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Queda, canto e dança, Gingas voltam em grande


09 Agosto de 2020 | 23h05 - Actualizado em 09 Agosto de 2020 | 23h18

Gingas do Maculusso Foto: Miguel Pacheco

Luanda - Sob olhar atento de milhares de internautas e telespectadores, espalhados pelo Mundo, um incidente repentino com a vocalista Patrícia Faria quase roubava a "cena" e ofuscava, neste domingo, a actuação das Gingas do Maculusso, em Luanda.


(Por Elias Tumba, editor-chefe da ANGOP)

A artista, um dos rostos notáveis do grupo, tropeçou em pleno palco, ante o espanto dos fãs, quando ajudava a coreografar um dos temas de maior sucesso, "Lengueno".

A "queda artística" de Patrícia para fora do palco era tudo que o grupo menos imaginava, num  momento simbólico de reajuntamento, que já estava "destinado" para ser sucesso.

Extrovertida e sempre bem humorada, Paty Faria se reinventou e não se abalou, buscando forças para uma vibrante actuação, de aproximadamente três horas.

Na verdade, essa não foi a primeira vez que a artista teve incidentes do género, como a propria reconheceu, após o seu retorno ao palco.

"Sou sempre eu que caio no show das Gingas", expressou, com sorriso nos lábios.

Apesar do incidente, as Gingas nunca perderam o foco durante o Show Live promovido pela Televisão Pública de Angola (TPA) e pelo portal Platina Line, com o propósito de  obter bens de primeira necessidade para ajudar cidadãos carenciados do país.

Neste espectáculo, as "meninas do Maculusso", como ficaram conhecidas ao longo das suas mais de três décadas de existência, estiveram em grande estilo, na interpretação, na coreografia e interacção, apesar da pressão pelo retorno aos grandes holofotes.

Sem a vocalista Maria João, agora dedicada exclusivamente ao canto religioso, Paula Daniela, Gersy Pegado, Josina Stella, Patrícia Faria e Celma Miguel brindaram os fãs com o melhor do semba, da cabetula e da varina, seus ritmos de eleição.

Mesmo sem público por perto, para buscar a habitual adrenalina de palco, o grupo manteve-se fiel às tradições e recantou histórias inspiradas no folclore, particularmente recolhidas na província de Malanje, terra natal da sua mentora, Rosa Roque.

Desde "Kalandula" a "Xyame", as Gingas cantaram com alma, emoção, criatividade e bastante coesão, com coreografias em palco que já trazem mais de duas décadas.

Foi, na essência, um regresso vistoso do grupo aos grandes palcos, numa altura em que prepara, com todo rigor, o Show de Reencontro das Gingas, inicialmente previsto para Março, e adiado à última hora, por causa dos condicionamentos da Covid-19.

Esta tarde, o grupo voltou no tempo, destapou o baú de recordações, reviveu momentos áureos de uma trajectória reconhecida além-fronteiras, honrando a tradição.

Mesmo sem o acompanhamento da sua banda habitual, os Semba Masters, Paula e companheiras cantaram o melhor do seu repertório, apesar da idade e do notório esforço físico, que, em alguns momentos, se refletiu na performance das cantoras.

Para corresponder à expectativa dos seus milhares de fãs, no país e na diáspora, o grupo foi rigoroso nos detalhes técnicos, sobretudo na elaboração do guião, levando para o palco canções que não "sucumbem" ao tempo, com forte dimensão cultural.

Levou para o palco, como se esperava, os temas de sucesso dos seus cinco CD "Mbanza Luanda", "Luanda, Natureza E Ritmos", "Xiyami", "Mwenhu" e "Luachimo", cujas canções resultam de profundas recolhas da tradição e do folclore angolano.  

Decididas a inspirar os telespectadores e internautas, para conseguir arrecadar o maior número de apoios para pessoas vulneráveis, o quinteto cantou "Alô Malanje", "Mbanza Luanda", "Dont Cry (Não Chore)", "Dizanda", "Kikola", "Requebrar" e "Dilangue".

Interpretou, ainda, "Kimbange", "Missosso", "Nzala", "Kalandula", "Lengueno", "Filhas de África", "Gingas 15 Anos", "Kizomba", "Rotura", "Panguila", "Kabetula", "Mizangala", "Dikaza", "Xiyami", "Filhas de África" e "Fuba".

Para esta performance, contribuiu uma banda bem sincronizada, liderada pelo baterista Lito Graça (um dos fundadores dos Semba Masters), que integrou, entre outros, o percussionista Xico Santos e os guitarristas Texas e Yark.

Juntos, ofereceram um momento de puro entretenimento, criatividade e emoção, que prendeu a atenção de milhares de fãs, rendidos ao talento de um quinteto que canta, dança e encanta, mesmo com os altos e baixos que marcaram a sua trajectória.  

Pela performance de hoje, as Gingas mostraram que estão "vivas" e prontas para oferecer, tão logo as condições sanitárias permitam, um show de reencontro de grandes emoções e empatia, cruzando, num só palco, o semba, a dizanda e a cabetula.

Que venham os próximos momentos, porque, com incidentes ou sem eles, as Gingas estão aí.