Sábado, 28 de Novembro de 2020
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UNITA quer tratamento judicial do "Luanda Leaks"


22 Janeiro de 2020 | 18h23 - Actualizado em 23 Janeiro de 2020 | 09h36

porta-voz da UNITA, Marcial Dachala Foto: António Escrivão

Luanda - A UNITA, maior partido na oposição em Angola, considerou, esta quarta-feira, que os factos trazidos a público pelo "Luanda Leaks", sobre a origem da fortuna da empresária angolana Isabel dos Santos, têm de merecer o devido tratamento por parte dos órgãos judiciais.


O “Luanda Leaks” é um conjunto de investigações relacionados com a actividade empresarial de Isabel dos Santos, que possui mais de 400 empresas e subsidiárias em 41 países, incluindo Malta, Ilhas Maurícias e Hong Kong.

Entre outros aspectos, a investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) revela que a filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, terá desviado 115 milhões de dólares de fundos públicos, por via da Sonangol (Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola, E.P).

Numa comunicação à imprensa, o porta-voz da UNITA, Marcial Dachala, indicou que a política de acumulação primitiva de capitais produziu muitas outras fortunas, envolvendo actos de peculato, branqueamento de capitais e gestão danosa, que devem merecer tratamento judicial igual.

A UNITA asseverou que esteve sempre na linha da frente do combate à corrupção, tendo feito, ao longo dos anos, vários pronunciamentos e, inclusive, solicitado diversas comissões de inquérito à Sonangol, ao Fundo Soberano e ao Banco Espírito Santo Angola.

Vincou que a postura daqueles que se empenham honestamente no combate à corrupção configura um acto de patriotismo, pelo que não deviam preocupar-se em salvar os seus partidos, mas, antes, a Pátria, enquanto verdadeira herança comum dos angolanos.

Na óptica desse partido, o desenvolvimento da economia angolana estagnou em consequência da sangria dos seus recursos, “espoliados mediante vários artifícios fraudulentos que minaram a confiança das instituições do Estado e tornaram o ambiente de negócios não credível, facto que tem desencorajado o investidor estrangeiro”.

Frente patriótica nacional de combate à corrupção

A UNITA sugeriu a criação de uma frente patriótica nacional e inclusiva para um combate efectivo e eficaz à corrupção, como garantia da estabilidade socioeconómica do país.

“Face à gravidade da situação em que o país se encontra e à forma como o combate à corrupção está a ser conduzido, antevendo as suas consequências, a UNITA considera urgente e inadiável que se crie uma frente patriótica nacional e inclusiva para o combate à corrupção, como garantia da estabilidade socioeconómica do país”, disse o porta-voz.

Para essa formação política, nessa luta contra a corrupção não há partidos, somente cidadãos. "Não há governo nem oposição, devendo essa luta ser feita de forma célere e generalizada, responsabilizando todos os corruptos, sem excepção", defendeu.