Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Ministro defende divulgação da Batalha do Cuito Cuanavale na região


23 Março de 2020 | 18h18 - Actualizado em 24 Março de 2020 | 10h41

Memorial da Batalha do Cuito Cuanavale Foto: Gaspar dos Santos

Menongue - O ministro da Defesa, Salviano Sequeira, defendeu hoje que a divulgação dos feitos da Batalha do Cuito Cuanavale, que culminou com a abolição do regime do apartheid, na África do Sul, e a independência da Namíbia, não deve ser apenas da responsabilidade do Governo angolano, mas também de todos os países da África Austral.


Em declarações à imprensa, no final do acto simbólico e restrito dos 32 anos da memorável Batalha do Cuito Cuanavale, decorrida de 1987 a 1988, no histórico município do Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango, o ministro sublinhou ser necessário que os países-membros se engajem para dar maior visibilidade ao referido conflito.

Para Salviano Sequeira, esta estratégia partilhada irá mostrar não só às actuais gerações, mas também às vindouras o quanto custou a liberdade, não só do povo angolano, mas também particularmente da Namíbia e da África do Sul.

Recordou que, com a vitória do 23 de Março, foi possível dar uma solução à questão da Namíbia, que, na altura, se encontrava ocupada pelas tropas sul-africanas e na África do Sul do então regime do apartheid de minoria branca que oprimia a maioria negra sul-africana, mas que, com a vitória da batalha e com as conversações entre as partes angolana, cubana e sul-africana sob a supervisão dos Estados da Unidos da América, culminou com os acordos de Nova York.

“Daí que, depois deste acordo, verificamos a libertação da Namíbia, assumindo a SWAPO, a libertação de Nelson Mandela e, posteriormente, a entrega do poder da minoria para a maioria negra, na África do Sul. Seja a Namíbia como a África do Sul, hoje os seus povos estão independentes”, detalhou o responsável, em representação, no acto, do Presidente da República, João Lourenço.

O ministro afirmou que vê o 23 de Março como uma data importante, não só para a República de Angola e para os angolanos, mas também para os povos que integram os países da África Austral, pois esta data é consagrada a todos os combatentes que tombaram na luta contra o apartheid sul-africano.

De acordo com Salviano Sequeira, foi por isso que a SADC, para dar uma maior envergadura contra o apartheid, achou por conveniente a data de 23 de Março, de celebração regional, porquanto foi neste dia em que os sul-africanos sofreram a maior derrota no Cuito Cuanavale, mas precisamente no Triângulo do Tumpo, onde as suas unidades foram obrigadas a retirarem-se, precipitadamente para o território namibiano.

Apoio aos heróis da batalha e famílias

Sobre as reclamações do povo do bairro Sá Maria, arredores da vila do Cuito Cuanavale, em relação às condições sociais, tendo em conta que muitas famílias participaram da Batalha, bem como dos próprios heróis vivos, o governante esclareceu que é uma missão do próprio Governo, mas que actualmente tem “lutado” com difíceis condições financeiras e económicas no país, daí que muitas promessas feitas aos antigos combatentes e à população ainda não foram, na totalidade, realizadas.

Afirmou que, ainda assim, essas promessas não caíram no esquecimento e serão resolvidas paulatinamente, não na dimensão em que eram pretendidas, para que cada um se reveja na Batalha do Cuito Cuanavale.

Unita recusa vitória das FAPLA

Em relação às recentes declarações do secretário nacional dos Antigos Combatentes da Unita, general Kamalata Numa, que considerou a celebração da Batalha do Cuito Cuanavale “uma mentira”, o ministro disse que, por uma questão de orgulho, a Unita não quer aceitar a vitória das tropas das FAPLA e cubanas que se bateram no terreno do Cuito Cuanavale.

“Não querem, portanto, admitir que foram derrotados e que tiveram que recuar. Por outro lado, vejo que o comando superior sul-africano não informou, na totalidade, qual era a estratégia operacional que eles preconizavam para estar aqui no Cuando Cubango, porque não só para o Cuito Cuanavale”, acrescentou.

Explicou que o Cuito Cuanavale seria o ponto de partida para as tropas sul-africanas continuarem a sua ofensiva para o Menongue, daí que as forças da Unita perceberam apenas da missão que lhes cabia, porquanto desconheciam a estratégia dos sul-africanos, provavelmente, uma vez que há generais que admitem deste desconhecimento.

O acto central foi restrito e não durou mais de uma hora, em função das medidas de prevenção do COVID-19, tendo o ministro da Defesa, Salviano Sequeira, e dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, respectivamente, depositado coroa de flores ao Memorial da Vitória à Batalha do Cuito Cuanavale, local que acolheu a efeméride.

A delegação, que integrava o governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, o Chefe do Estado-Maior das FAA, general António Egídio de Sousa Santos “Disciplina”, o Comandante do Exército, general Gouveia de Sá Miranda, entre outros oficiais e alguns membros do governo local, visitou a exposição fotográfica que retrata os principais momentos da batalha e o museu onde estão alguns meios bélicos usados na epopeia militar.

A delegação do ministro já se encontra na capital do país, Luanda.