Sexta, 27 de Novembro de 2020
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Manifestantes vão a julgamento segunda-feira


25 Outubro de 2020 | 21h55 - Actualizado em 26 Outubro de 2020 | 13h33

Luanda - Cento e três cidadãos, detidos sábado último na sequência da manifestação ilegal contra as políticas do Governo, serão julgados sumariamente nesta segunda-feira (26).


Segundo o secretário de Estado do Interior, Salvador Rodrigues, que falava ao Jornal de Domingo da Televisão Pública de Angola (TPA), entre os detidos estão dirigentes e militantes da UNITA, principal partido na oposição.

Trata-se de um grupo composto por 90 homens e 13 mulheres, acusados de "arruaça e desobediência" às autoridades angolanas, que haviam inviabilizado o protesto, como forma de evitar contaminações em massa de Covid-19.

A tentativa de manifestação decorreu em claro atropelo ao novo Decreto Presidencial sobre a Situação de Calamidade Pública, que restringe os ajuntamentos na via pública a cinco pessoas.

A marcha, frustrada pela Polícia Nacional, contou com centenas de participantes, incentivados por activistas da sociedade civil e por membros da direcção da UNITA.

Os implicados tentaram protestar contra a não-indicação de uma data para as eleições autárquicas e contra a falta de emprego, assim como exigir melhores condições sociais.

A tentativa de manifestação ficou marcada por actos de enfrentamento às forças policiais, incluindo o arremesso de pedras e outros objectos, vandalização de bens públicos, barreiras nas estradas e queima de pneus, resultando ainda em seis feridos, agentes da Polícia Nacional, destruição de meios da corporação e de transeuntes.

De acordo com Salvador Rodrigues, as forças policiais saíram à rua apenas para garantir a manutenção da ordem e tranquilidades públicas, em cumprimento do Decreto Presidencial sobre o Estado de Calamidade Pública, que proíbe ajuntamentos de mais de cinco pessoas.

"As leis do país são para ser cumpridas. Tudo vamos fazer para o cumprimento das orientações emanadas pelo Executivo", disse, sublinhando que, infelizmente, uma das partes não cumpriu com as regras impostas.

O responsável lamentou o facto de dirigentes da UNITA se terem envolvido numa acção que acabou em arruaça e desacatos à autoridade.

Apelou à sociedade civil, particularmente aos partidos políticos com assento na Assembleia Nacional, para usarem os meios legais para a apresentação das suas reivindicações.

"Tenham calma e, se todos nos sentarmos, os problemas sociais serão resolvidos a contento de todos os angolanos", sugeriu.