Quarta, 02 de Dezembro de 2020
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Plano Nacional de Salvação de Estradas condicionado


17 Setembro de 2020 | 18h39 - Actualizado em 17 Setembro de 2020 | 18h39

Estrada Nº 100 recebe novo asfalto Foto: Joaquim Tomás

Dondo - A execução das obras de conservação e manutenção de estradas inseridas no Plano Nacional de Salvação de Estradas, aprovada pelo governo angolano em 2019, está condicionado devido as dificuldades financeiras e à pandemia da Covid-19.


O Executivo aprovou, em 2019, USD 175 milhões para a execução do Plano de Salvação de Estradas, que visa recuperar cerca de 370 quilómetros de estradas em mau estado de conservação nas 18 províncias do país.

Dados do Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território indicam que 1.394 quilómetros de estrada, correspondente a 12 por cento da rede nacional de estradas, estão em estado crítico, 2.662 quilómetros de estrada (23 por cento da rede nacional) em mau estado.

Acentua ainda que 3.950 quilómetros de estrada, representando 34 por cento da rede nacional, apresentam estado razoável.

Da rede nacional de estradas, apenas 3.602 quilómetros de estrada, correspondentes a 31 por cento da rede nacional, estão em bom estado.

O Programa de Salvação de Estradas é uma acção que permitirá a recuperação dos troços de estradas em estado de degradação acentuada e que carecem de intervenção imediata.

A sua concepção foi definida tendo em conta o estado de ruína dos pavimentos em determinados troços de estradas, cuja intervenção se consubstância na reabilitação, conservação e manutenção de estradas.

Foram seleccionadas, para esta empreitada, 21 empresas de construção e 11 fiscalizadoras vencedoras, em 2019, do Concurso Público para a recuperação de 27 troços de estradas nacionais em estado avançado de degradação.

Segundo o ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território, Manuel Tavares de Almeida, que falava à imprensa à margem da cerimónia de reabertura do troço rodoviário Maria Teresa/Dondo, o prazo para a execução destas obras era de seis meses, mas devido a actual situação financeira do país, agravada com à pandemia do novo coronavírus, que colocou restrições à circulação de pessoas e bens, impede a conclusão no tempo aprazado.

Manuel Tavares de Almeida frisou que o plano previa a recuperação de apenas 370 quilómetros, mas serão intervencionados mais de mil quilómetros de estradas.

“Os trabalhos estão em execução. Todo o programa foi orçado em 175 milhões de dólares, mas ainda não foi gasto o valor da empreitada que será pago a medida que for sendo executada”, frisou o governante que não avançou o montante já empregue na execução deste programa, nem a extensão de vias já recuperadas.

Conforme o ministro,  esta intervenção devia ter sido iniciada em 2019, mas devido aos constrangimentos financeiros só neste ano tiveram inicio.

Salientou também que a degradação dos troços, que deviam ser intervencionados, aumentou, factor que  exige  a revisão do plano, com vista ao alcance dos seus objectivos.

O plano inclui a reabilitação do troço da Estrada Nacional número 230, Maria Teresa/Caxilo/Ndalatando, na província do Cuanza Norte, num percurso de 100 quilómetros, cujos trabalhos estão em execução.

O governante justificou que a iniciativa serve para acabar com os constrangimentos que os utentes encontram na utilização das diferentes redes viárias do país.

A falta de conservação e manutenção contínua das estradas, o aumento do volume de tráfego e a deficiência da fiscalização são apontados como factores que estão na origem da degradação das estradas.

Manuel Tavares de Almeida afirmou que o Ministério da Construção e Obras Públicas está a corrigir os critérios usados nos projectos de construção de estradas no país, com o acompanhamento do Laboratório de Engenharia de Angola, para que, doravante, não haja mais estradas sem qualidade, mesmo que para isso se prolongue o prazo de construção.

Entre as medidas apontadas pelo governante no que toca a conservação de estradas consta ainda  a instalação de balanças, pois, na óptica do  ministro, um dos factores que contribui para a degradação dos pavimentos é o excesso de peso.

Afirmou que o plano de colocação de dispositivos de controlo de peso é nacional e no Cuanza Norte começou na região de Maria Teresa, onde já foi instalada uma balança que nesta altura está a beneficiar de trabalhados de requalificação.