Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Governo alerta pescadores para perigos da violação da zona de pesca


03 Julho de 2020 | 16h17 - Actualizado em 03 Julho de 2020 | 16h17

Lobito, 03/07 - O director do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, José Gomes da Silva, admitiu hoje, sexta-feira, que o desaparecimento este ano de algumas embarcações de pesca artesanal ao largo da costa de Benguela deve-se à violação das quatro milhas náuticas e à falta de bússolas e coletes salva-vidas para a segurança marítima.


Em entrevista à Angop a propósito do aumento de casos de desaparecimento de armadores em Benguela, o responsável denunciou que os pescadores artesanais violam os limites da sua zona de pesca, de quatro milhas, e capturam até 20 milhas da costa, onde arriscam a vida quando são abalroados por navios de pesca industrial.

José Gomes da Silva, que é também engenheiro naval, considera perigosa essa zona que vai de oito até 20 milhas, por estar reservada à pesca semi-industrial e industrial, respectivamente, por isso, várias vezes, as chatas artesanais são abalroadas por embarcações pesqueiras de grande porte.

Lembra que, só no ano passado, três pescadores que andavam desaparecidos em Benguela foram encontrados mortos dias depois, visto que operaram para lá das quatro milhas náuticas, o equivalente a cerca de seis quilómetros em relação à costa.

“Muitas vezes, na calada da noite, uma embarcação semi-industrial licenciada para na sua zona de seis, sete ou oito milhas náuticas, depara-se com um objecto estranho em frente, que aparentemente pode ser um tubarão, mas na verdade é uma chata sem nenhuma sinalização luminosa”, frisou.

“Por isso, têm acontecido acidentes e as chatas são abalroadas”, acentuou, adiantando que Benguela registou, em Maio deste ano, o desaparecimento de uma chata com três marinheiros, que felizmente apareceram vivos. “O ano passado registamos um naufrágio e três marinheiros morreram”.

Outra situação é a falta de instrumentos de navegação marítima, entre os quais cabos de reboque, o que faz com que os pescadores artesanais estejam entregues à própria sorte e muitos acabam mesmo por perder a vida em caso de naufrágio, notou a fonte.

“Hoje, uma pequena bússola não é assim tão cara. Até um telefone digital faz isso”, refere. E avisa que, na ânsia pelo lucro fácil, boa parte dos pescadores artesanais na província de Benguela não acata os conselhos da fiscalização e ainda se fazem ao mar sob efeito de álcool e de outras substâncias psicotrópicas.

Canoas de bimba proibidas

Para fugir ao desemprego, centenas de pessoas, dos 14 aos 18 anos, fazem pequenas canoas com paus de bimba e esferovite para pescar, uma prática que, embora de subsistência, o director do Gabinete Provincial das Pescas classifica ilegal e que o sector tenta combater há anos, dado que esses jovens arriscam a vida indo ao mar sem segurança nem condições técnicas de navegabilidade.

Mesmo assim, reconheceu que essa franja social faz da pesca com canoas de bimbas uma forma de ganhar a vida, daí que as medidas privilegiem mais a sensibilização sobre os riscos a que estes jovens estão sujeitos no mar em vez da apreensão dos meios.

De igual modo, José Gomes da Silva assumiu que a extensão da orla marítima de Benguela, com 110 milhas, o equivalente a mais de 200 quilómetros, e a existência de apenas 16 fiscais, dos 40 necessários, impede que se faça uma fiscalização mais abrangente da actividade piscatória.

A província de Benguela, com dois pontos de observação da actividade piscatória, dois navios de grande porte para patrulhamento das águas nacionais e duas lanchas rápidas, tem mais de 2.500 embarcações de pesca artesanal com e sem motor, num universo de mais de 12 mil pescadores artesanais.

A orla marítima de Benguela parte da Catara, fronteira marítima com a vizinha província do Namibe, até ao rio Tapado, na comuna da Canjala, município do Lobito.

Angop/JH