Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Lunda Norte busca estabilidade social


04 Julho de 2020 | 15h57 - Actualizado em 04 Julho de 2020 | 21h23

Dundo - A província da Lunda Norte, considerada "berço da indústria mineira" no país, celebra, este sábado (4 de Julho), 42 anos de existência, num cenário de mudanças e progresso social.


(Por Hélder Dias, delegado da Angop na Lunda Norte)


Localizada no nordeste do país, com uma população de 972.183 habitantes, a província regista melhorias em vários domínios, apesar de serem ainda grandes os desafios económicos e sociais.  

Com uma área territorial de 103 760 quilómetros quadrados, a Lunda Norte ainda não conta com uma indústria estruturada de exploração de diamantes, a sua principal riqueza, mas tem na Habitação, Educação e Saúde os sectores mais dinâmicos, nos últimos anos.

Um dos reflexos dessa mudança é a centralidade do Mussungue, construída desde 2009, numa área de 116 hectares, que tem 419 edifícios de cinco a 18 pisos, além de apartamentos do tipo T3, T4 e T5.

Além de promover o acesso à habitação condigna, a centralidade foi projectada para dar corpo à urbanização da cidade capital da província da Lunda Norte, Chitato.

Nesta nova cidade, com cinco mil e quatro apartamentos, vivem, actualmente, mais de 20 mil pessoas, maioritariamente jovens.

Conquanto, os sinais de crescimento no domínio da Educação vêm desde 2004, altura em que a região Leste registou, pela primeira vez, o surgimento de uma instituição de ensino superior. Trata-se da universidade Lueji A'nkonde, que comporta as faculdades de Economia, Direito e Pedagogia.


Desde então, o acesso ao ensino superior deixou de ser um problema grave para a população local, sobretudo jovens, que antes eram obrigados a procurar vagas em outros locais do país (distantes).

Desde 2015, a Universidade formou um total de 2.663 licenciados, em várias especialidades, em todas as suas unidades orgânicas.

O mesmo sinal de crescimento regista-se nos outros subsistemas de ensino, sendo que, nos últimos anos, foram construídas pelo menos 177 escolas (mil e 665 salas de aulas).

Desse leque, 83 são escolas primárias (785 salas), 68 complexos escolares (726 salas), sete colégios (61 salas), seis liceus (56 salas), dois institutos técnicos e seis magistérios de formação de professores, que permitiu a inserção em massa de novos estudantes.

Entretanto, o sector da Saúde é um dos que mais ganhos tem vindo a registar, nos últimos anos.

Com o reforço dos investimentos públicos, pelo Governo, foram construídos 13 hospitais, 18 centros de saúde e 67 postos, assegurados por 800 enfermeiros e 64.

Outro aspecto marcante ao longo dos 42 anos, foi reinauguração do Aeroporto de Kamaquenzo.

O aeroporto recebeu, em 2017, obras de ampliação da pista, que passou de mil e 800 para dois mil e 500 metros de comprimento, de 20 para 45 de largura e 15 metros de bermas.

Em paralelo, foi construído um edifício de dois pisos, com capacidade para receber 300 passageiros em hora de ponta.

Com a entrada em funcionamento deste aeroporto, a província passou a receber aviões de grande porte, operando a rota Luanda/Dundo/Luanda, com duas frequências semanais (quinta-feira e sábado).

Isso tem vindo a atrair mais investimentos, sobretudo no sector hoteleiro, que hoje conta com 27 hotéis e similares, perfazendo um total de 407 quartos.

Entretanto, o sector das obras públicas também conhece melhorias na Lunda Norte, que vai dando, aos poucos, passos sólidos rumo à estabilidade social dos cidadãos locais.

Para melhorar o tráfego rodoviário (urbano, inter-municipal e inter-provincial), foram construídas e reabilitadas mil e 161 quilómetros de estradas e 34 pontes de betão armado.

De igual modo, as autoridades locais trabalham na melhoria do sector energético. Em Fevereiro de 2016, o Governo angolano iniciou as obras de ampliação da barragem do Luachimo, que elevará a capacidade de produção e distribuição de energia, de oito para 34 megawatts.

Esse passo poderá transformar a província da Lunda Norte na mais iluminada do Leste do país.

O projecto, orçado em USD 212 milhões, vai permitir a expansão de energia e beneficiará 186 mil pessoas da cidade do Dundo e dos municípios de Cambulo e Lucapa, incluindo as localidades de Fucauma, Cassanguidi, Luxilo e Calonda.

Com a entrada em funcionamento da barragem, cujos primeiros testes acontecem em Outubro do ano em curso, a província passará a contar com cerca de 64 megawatts de energia, somando aos actuais 18 da central térmica que alimentam o Dundo.

Mas, as melhorias na província, não se registam apenas no domínio social e económico. O sector da Cultura também tem vindo a viver momentos promissores, nos últimos anos.

O Museu do Dundo, situado no "coração" da antiga cidade do Dundo e com mais de 100 anos de existência, que se destaca na conservação de acervos culturais diversos.

Ali estão conservados documentação, pesquisa histórica e específica acerca do povo Lunda Côkwe, constituindo uma das principais atracções turísticas nesta região.

Para ajudar a preservar as memórias e explicar aos interessados, a instituição conta com um acervo repleto de artigos e colecções etnográficas, biológicas, arqueológicas, de arte sacra, popular e alguns objectos que se relacionam com a história da Revolução Industrial, como a exploração de diamantes.

Entretanto, apesar desses passos promissores, nem tudo são flores na Lunda Norte.

A província ainda tem escassez de água, precisa de aumentar a recuperação de estradas secundárias e terciárias, bem como expandir os serviços de saúde e da rede escolar.

A província da Lunda Norte, localizada no nordeste do país, é constituída pelos municípios de Chitato (capital política e económica), Cambulo, Caungula, Cuilo, Cuango, Capenda Camulemba, Lucapa, Lubalo, Lóvua e Xá-muteba.