Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Remar reabilita 81 "ex-dependentes" de drogas na Catumbela


03 Julho de 2020 | 16h22 - Actualizado em 03 Julho de 2020 | 16h22

Lobito - Oitenta e um cidadãos ex-dependentes de drogas e alcoolismo, de várias partes do país, encontram-se, actualmente, internados no Centro de Reabilitação da Remar, na comuna da Praia do Bebé, município da Catumbela (Benguela), na tentativa de abandonarem o vício que os afligia.


O centro de reabilitação da Remar, uma instituição de carácter religiosa, funciona na Catumbela desde 1998 e acolhe, neste momento, adolescentes, jovens e adultos das províncias de Benguela, Luanda, Lunda Sul e Zaíre e que lutam contra a dependência de estupefacientes e álcool.

Em declarações hoje, sexta-feira, à Angop, o responsável adjunto do centro, Homero Canhanga, destacou que o objectivo da reabilitação é reintegrar à sociedade os jovens que andavam no mundo das drogas e da criminalidade nas suas províncias.

Deu a conhecer que, depois do tratamento, que vai de um a dois anos, uns ficam para servir de forma voluntária a obra da Remar, corporizada na Igreja Corpo do Messias, de maneira a ensinar outras pessoas que passam pela mesma situação.

Homero Canhanga, que está há 18 meses no centro para se reabilitar da dependência da cocaína, aponta agora os ensinamentos da Bíblia Sagrada como a única fonte da terapia, através da qual os jovens estão a ser libertos dos vícios que os afastaram da família e, principalmente, do mercado de trabalho.

Segundo ele, a maioria das pessoas vem de Luanda com problemas de consumo de estupefacientes, vulgo liamba, cocaína e álcool, razão pela qual cometiam crimes em grupos de marginais, mas que querem agora sair do mundo das drogas e começar de novo.

Também confessou que hoje se arrepende das coisas que fazia no passado, daí o desejo de mudar de vida e aponta como vantagem da Remar o despertar da mente do jovem para retomar a vida normal, na base do Evangelho.

Dificuldades

Hoje em dia, a casa sobrevive de algumas doações de entidades privadas ou públicas, sendo a mais recente da esposa do governador provincial de Benguela, Vanda Andrade, que levou ao centro, entre outros produtos, material de biossegurança para prevenção da covid-19, não obstante que a maior dificuldade é a alimentação e a falta de energia eléctrica da rede pública na zona.

“Muitas vezes a nossa alimentação só é arroz simples, sem carne, peixe ou feijão”, relatou o jovem.

Vida nova

Depois de tentar a reabilitação no mesmo centro em 2008 e 2016, Bruno Liberal, ex-dependente de drogas e álcool, acredita que agora será de vez, porque, como notou, há sete meses, antes de deixar Luanda para se instalar na Remar da Catumbela, prometeu ao filho de 20 anos uma “nova vida”.

“Graças a Deus, retornei pela terceira vez e estou decidido a resistir até ao fim”, disse, com um sorriso espontâneo, revelando que nos primeiros dois meses da fase de abstinência tivera fugido duas vezes para beber, mas quando pensou na mãe e nos irmãos que lutam contra covid-19 em Portugal e Espanha, arrependeu-se e desistiu de vez do “copo”.

O tratamento ainda não terminou, mas Bruno Liberal, com notáveis mazelas do vício que tenta abandonar, já faz planos para o futuro. “Sou mestre de construção civil e quero voltar a ser o Bruno de antes”, diz, com uma lágrima no canto do olho, incapaz de disfarçar.

No local, a Angop apurou que o centro de reabilitação da Remar tem dez dormitórios, cada abriga oito pessoas, um refeitório, balneários e um centro social que acolhe as actividades da Igreja Corpo do Messias, onde são realizados os estudos bíblicos e cultos.