Sexta, 04 de Dezembro de 2020
    |  Fale connosco  |   Assinante    
 

Covid-19: Cinquenta e um angolanos deixam RDC


24 Julho de 2020 | 10h48 - Actualizado em 24 Julho de 2020 | 12h35

Cabinda - Cinquenta e um angolanos regressaram, na quinta-feira, ao país provenientes da vizinha República Democrática do Congo (RDC).


Com idades entre os 5 a 70 anos, os cidadãos em causa usaram as fronteiras terrestres de Bata Chionga e Tsuco Kingumbi nordeste do município de Belize, norte da província de Cabinda.

Trata-se do retorno de angolanos retidos nos dois Congos desde Fevereiro deste ano devido a pandemia da Covid-19.

Os angolanos encontram-se, na sua maioria, nas localidades de Kitsemba Maduda e Mpalanga Ndenga (RDC) e Dolizi, Panqui e Quimongo (República do Congo), vilas e localidades que fazem fronteira terrestre com Alto Sunde e Ganda Cango e Miconje-Belize (Angola).

A comissão provincial de contingência contra a Covid-19 criou, na localidade de Ganda Cango, município de Belize, cerca de 160 kms a norte de Cabinda, um centro para a triagem e testagem da malária e Covid-19.

Pretende-se identificar o estado epidemiológico das pessoas, tendo em conta que os dois países vizinhos estão assolados pela pandemia da Covid-19.

Após desinfestação e da testagem rápida, no centro de Ganda Cango, foram registados dois casos reactivos que estão a merecer a atenção dos técnicos sanitários.

O coordenador da comissão provincial de contingência e resposta à Covid-19 em Cabinda, Miguel de Oliveira, salientou que o governo vai apoiar o processo até o regresso de todos os cidadãos retidos em territórios congoleses.

Referiu que esta acção humanitária, que deverá terminar segunda-feira, tem ainda como pontos de recepção as fronteiras terrestres do Yema com a Vila de Muanda (RDC) e a norte de Massabi com as cidades congolesas de Ponta-Negra e Kouilou (RC).

Conforme o responsável, o processo no Belize pode durar dois dias, dependendo do contexto, devido ao atraso na chegada de outros cidadãos cujos pontos de recepção estão já identificados.

“É uma acção humanitária de extrema relevância que envolve três componentes necessários: a sanitária, que permite fazer a triagem e os testes rápidos da Covid-19 e da malária, a triagem da hipertensão e o encaminhamento das pessoas para a devida assistência médica e medicamentosa sempre que se verifica alguma necessidade de saúde”, reforçou.

Em caso de haver testes positivos de IGM, estes terão uma abordagem específica para os serviços hospitalares e os descartados serão encaminhados aos seus locais de residência.

Miguel Oliveira avançou que todos os cidadãos que chegam ao centro de Ganda Cango-Belize são assistidos no âmbito da componente social, com alimentação, acomodação e transporte para os seus locais de proveniência ao nível da província.

Outra componente está ligada à situação migratória, que obriga o SME a avaliar a condição destes cidadãos, sobretudo o registo e acompanhamento junto das autoridades municipais do Belize.

Durante a sua estada esta quinta-feira no Belize, Miguel de Oliveira visitou o centro de saúde de Ganda Cango transformado, provisoriamente, em Hospital Municipal.

No hospital, o coordenador da comissão provincial da Covid-19 constatou o nível de organização da área criada com os meios de biossegurança contra a Covid-19.

Aproveitou o momento para relembrar aos técnicos de saúde o bom uso dos meios de biossegurança, bem como intensificar as acções de vigilância epidemiológica e de sensibilização das populações no uso correto e obrigatório das medidas de prevenção contra a Covid-19 (uso de máscaras, lavagem das mãos com sabão ou álcool gel e o cumprimento rigoroso do distanciamento social).